Cidades
F�rum discute revitaliza��o do S�o Francisco
BLEINE OLIVEIRA A fome e sede que imperam no semi-árido alagoano só poderão ser minimizadas se forem criadas condições para que aquelas populações deixem de ser reféns de ações públicas que chegam apenas nos perídos de estiagem. Essa avaliação foi discutida esta semana em Maceió, durante evento sobre o aproveitamento racional das águas do rio São Francisco. Especialistas de Alagoas e de diversos estados brasileiros participaram, no auditório do Senai/Alagoas, do Fórum estadual Água e Desenvolvimento da Bacia do São Francisco em Alagoas, iniciativa que pretende definir os rumos que o Estado deverá seguir no processo de revitalização do rio. As informações são de que o projeto de revitalização prevê a aplicação de 9 milhões de dólares em toda a bacia do São Francisco, da Serra da Canastra, em Minas Gerais, até Piaçabuçu, em Alagoas. ?Estamos definindo estratégias para nos posicionarmos de forma articulada, planejada e organizada em relação à bacia do São Francisco? - disse o secretário executivo de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Anivaldo Miranda. A preocupação dele é que Alagoas seja parte de todas as ações e decisões do governo federal relacionadas ao aproveitamento das águas do rio. Soluções alternativas A bacia do São Francisco é formada por 510 municípios que ocupam o equivalente a 7% do território brasileiro, com uma população de 14 milhões de habitantes. Alagoas tem quase metade de seus municípios inseridos na área da bacia, o que obriga o poder público estadual a acompanhar bem de perto todas as discussões relacionadas ao rio. Consciente da importância dessa questão, o secretário Anivaldo Miranda defende mais envolvimento da sociedade nas discussões, pois somente com planejamento e organização Alagoas pode assegurar sua participação no debate que está se travando nacionalmente a esse respeito. Os especialistas e estudiosos que participaram do Fórum Estadual mostraram que não basta assegurar que o governo federal libere recursos para a continuidade das obras do Canal do Sertão, projeto estruturante de longo prazo. Aliás, a maioria dos técnicos não vê o canal como a principal e definitiva solução para o drama do sertanejo. O professor Aldo Rebouças, da Universidade de São Paulo, por exemplo, avalia que o Canal é uma obra que vai beneficiar latifundiários, grandes agricultores e políticos. Para ele, as populações pobres, o pequeno agricultor, continuarão excluídos dos grandes investimentos públicos. O secretário Anivaldo Miranda é outro que não vê o canal do Sertão como obra única e definitiva. Ele acha que o projeto é bom, mas deve ser encarado como parte da solução. A obra deve ser conjugada a ações alternativas, como a construção de adutoras, cistenas e poços artesianos, pois é preciso agir enquanto o canal está sendo construído. Serão necessários cinco anos e investimentos de R$ 400 milhões para a conclusão dessa obra. Organização comunitária ?Temos que construir um sistema de captação e acumulação de água da chuva que permita minorar os efeitos da estiagem? - declara Anivaldo, ressaltando que essas alternativas são possíveis e já foram executadas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí que têm hoje resultados excelentes em relação ao desenvolvimento de suas áreas de semi-árido. Porém, e mesmo diante de uma realidade adversa onde historicamente pouco se fez para que Alagoas trilhasse o mesmo caminho, já se começou a trabalhar para materializar os discursos que pregam ações alternativas, mais simples e que exigem menos recursos. Recentemente foi criada a primeira Associação de Usuários da Água de Alagoas, entidade que reuniu 32 comunidades dispostas a encaminhar, em parceria com o poder público, as soluções alternativas que entendem serem necessárias. ?A associação é um instrumento de ação cidadã, que terá papel relevante na gestão dos recursos hídricos? - disse o secretário de Meio Ambiente. Para ele, sem a organização das comunidades o flagelo da estiagem não será resolvido. E essa organização comunitária deve ser desenvolvida em paralelo com ações voltadas para a garantia de investimentos públicos em educação, saúde, geração de emprego e renda. ? É fundamental o envolvimento de toda a sociedade, defendendo soluções mais baratas, mas rápidas e capazes de criar um processo de desenvolvimento endógeno (de dentro para fora)? - acrescentou Anivaldo.