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Aposentados retornam ao mercado de trabalho

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Aos 65 anos, o aposentado Antônio Marcolino dos Santos continua trabalhando. Não da maneira como ele gostaria. Se ganhasse um pouco mais de sua aposentadoria, ele gostaria de continuar na ativa, mas no seu próprio negócio, garantindo o sustento de outros membros de suas famílias. Antônio Marcolino faz parte de um universo cada vez maior de pessoas, que depois de aposentadas voltam ao mercado de trabalho. A grande maioria para complementar a renda, devido ao baixo valor da aposentadoria, mas também para evitar a ociosidade. Ex-supervisor de produção de uma empresa de produtos químicos instalada no pólo de Marechal Deodoro, onde trabalhou durante mais de 20 anos, Antônio Marcolino se aposentou em 1987, aos 49 anos. Sem estar preparado para a aposentadoria, ele voltou ao trabalho na mesma empresa, onde permaneceu até 91. A volta ao trabalho, no entanto, lhe rendeu o agravamento na perda de audição. Acabou então, pedindo demissão, porque se ?sentiu inútil? e desprezado pela empresa a quem tanto se dedicou. Hoje, Marcolino é um dos funcionários da Federação dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos de Alagoas (FAAPIAL). Se estivesse na ativa, ele diz que estaria recebendo cerca de R$ 7 mil, mas hoje não recebe mais do que R$ 1.700,00 de aposentadoria. ?Hoje, não vejo possibilidade de parar de trabalhar. Pois quando se fica idoso se gasta mais?. Em Alagoas, de acordo com o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 2.822.621 habitantes do Estado, 288.091 estão na faixa entre os 50 a 69 anos de idade. O presidente da Federação dos Trabalhadores Aposentados em Alagoas, Fernando Rêgo, reconhece que é alto o índice de pessoas aposentadas que voltam ao mercado de trabalho, a maioria para garantir uma renda que complemente o valor da aposentadoria. Segundo ele, os que possuem um índice maior de nível de escolaridade volta também ao mercado de trabalho como forma de se manter em atividade. De seis funcionários da FAAPIAL, quatro são aposentados. Até pessoas que se aposentaram por invalidez, mesmo sob o risco de terem o benefício cassado pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) acabam voltando a trabalhar. O motivo é que o benefício é insuficiente para manter o sustento da família. Em Alagoas existem hoje cerca de 298 mil segurados do INSS, que representam um montante de pagamento de cerca de R$ 70 milhões de benefícios por mês. Em alguns municípios, são eles que garantem a movimentação da economia. Em municípios como Santana do Mundaú, por exemplo, os pagamentos do INSS são superiores às cotas mensais do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Em 2001, os quase mil segurados do INSS do município geravam uma renda de R$ 178.438 por mês. Hoje, o FPM do município não chega mensalmente a R$ 35 mil. O presidente da FAAPIAL afirma que para muitas empresas também vem sendo vantajoso contratar pessoas idosas para trabalhar. ?Os idosos não pagam transporte, não enfrentam filas nos bancos e ainda têm mais experiência que muitas pessoas jovens?, observa Fernando Rêgo.

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