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Cidades

DELEGADO DAVINO CONFIRMA AUMENTO DE INVESTIGAÇÕES PARADAS

Cerca de 40% da categoria está no grupo de risco e teve de se afastar por causa da pandemia do novo coronavírus

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 17/10/2020 - Matéria atualizada em 16/10/2020 às 21h22

Em mais de sete meses de pandemia do novo coronavírus em Alagoas, não houve mudanças significativas ou relevantes nas delegacias da Polícia Civil que permitissem a conclusão de milhares de inquéritos que estavam parados. Pelo contrário, a situação se complicou. A avaliação é de um dos mais experientes policiais e ex-presidente da Associação dos Delegados de Alagoas, Robervaldo Davino, que tem mais de 40 anos no serviço público, dos quais 32 anos como delegado. “A situação se complicou porque parte dos integrantes da Polícia teve que se resguardar. Cerca de 30% a 40% da nossa categoria estão no grupo de risco. O efetivo [cerca de 90 delegados e 1.600 agentes e escrivães] já não davam conta antes do grande volume de trabalho, imagine com a redução do efetivo por causa da Covid 19?”. O que a Polícia Civil precisa é completar seus quadros de delegados, agentes e de escrivães para que possa atender às demandas da população. É o que recomenda o novo presidente da Adepol, Antônio Carlos Lessa, ao explicar que havia previsão de concurso este ano. “Com a pandemia, o governo adiou o concurso para o próximo ano”. A Polícia Civil tem cerca de 90 delegados para trabalhar em 143 delegacias. Como a conta não empata, antes da pandemia havia casos de delegados acumulando serviços em até cinco delegacias. O presidente da Adepol acredita que o concurso resolverá o problema. O delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, confirmou que a pandemia do coronavírus provocou o adiamento do concurso para preenchimento de 40 vagas de delegados, 500 de agentes e 200 de escrivães. “O governador anunciou o concurso para o próximo ano”. A secretaria do Planejamento definirá da data, explicou Cerqueira. Ele admitiu, porém, que a falta de delegados compromete o trabalho da Polícia Judiciária e revelou que há 12.186 inquéritos em andamento. Cerqueira justificou que qualquer instituição que tenha decréscimo de servidores passará por alguns percalços, mas jamais comprometer o exercício da atividade policial. Com relação à estimativa dos policiais de que há 30 mil de inquéritos parados, disse que o problema de inquérito não é só de pessoal. “Há inquéritos que trazem dificuldades enormes de serem solucionados, não havendo provas palpáveis, como testemunhas, imagens de câmeras, entre outras”, explicou. “É necessário que se entenda que o delegado exerce atividade jurídica, sendo uma obrigação de meio e não de resultado”. Mais de 30 municípios não têm delegados. O efetivo é insuficiente para as 143 delegacias. Os delegados justificam que os inquéritos pararam por falta de pessoal, e a maioria alega falta de condições de cumprir metas estipuladas pela Delegacia Geral. “Não se mede o trabalho de um delegado somente pela produção de inquéritos, pois há ainda Boletins de Ocorrência, Termos Circunstanciado de Ocorrência, Carta Precatória, entre outros itens da atividade policial que fazem parte do bojo de demandas de uma unidade policial”, afirmou Cerqueira. Ele ressaltou que as estatísticas provam que o Estado reduziu os homicídios, que antes ultrapassavam os 200 por mês, para menos de 100/mês, e na capital eram quase 100 ao mês e caíram para menos de 30 por mês.

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