Cidades
TOTAL DE IDOSOS MORTOS POR COVID É MAIS QUE DOBRO DAS DEMAIS FAIXAS
Segundo a Sesau, 72% das vítimas do novo coronavírus em Alagoas tinham acima de 60 anos
Em Alagoas, o vírus causador da Covid (Sars-Cov-2) infectou crianças, adultos e idosos. Mas, à medida que avança a idade do paciente, mais mortes o coronavírus provoca, principalmente naqueles que tinham acima de 60 anos, um percentual que ultrapassa 72% do total de óbitos. Nas demais faixas etárias, com até 59 anos, por volta de 27% das vítimas não resistiram.
O Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS/AL) detalha que mais de 1,6 mil mortos pela Covid do total de 2,2 mil em Alagoas tinham mais de 60 anos. Cerca de 600 vítimas tinham entre 70 e 79 anos; mais de 550 entre 60 e 69 e se aproxima de 490 idosos com mais de 80 anos.
Sobre as doenças preexistentes - ou comorbidades - dos infectados que não resistiram à Covid, mais de 800 tinham diabetes, hipertensão arterial (em quase 500) ou cardiopatia (cerca de 400). Em relação aos mais de 91 mil casos confirmados, mais de 13,3 mil das pessoas têm acima de 60 anos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, mais de 900 pacientes idosos que não resistiram eram homens, o que corresponde a quase 57% das vítimas. Sobre os infectados na faixa dos 30 aos 59 anos, foram registrados quase 54 mil casos em Alagoas, quase 59% do total de notificações.
JOVENS
Em entrevista à Gazeta de Alagoas, a médica infectologista Sarah Dominique, que atua como gerente-médica do Hospital de Mulher, unidade referência no tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus, explica que a Covid acomete mais a faixa etária entre 20 a 59 anos, sendo que dos 30 aos 39 anos há mais casos de síndrome gripal (forma leve) decorrente da doença. “Contudo os idosos acima de 70 são os que prevalecem com a forma grave da doença (síndrome respiratória aguda grave), assim como os idosos prevalecem dentre os óbitos”. A reportagem pergunta à médica se oito meses após a confirmação do primeiro caso de Covid em Alagoas é possível observar mudanças sobre como a doença afeta pessoas de faixas etárias diferentes. “Observa-se sim uma semelhança ao que os vírus Influenza A e B promovem na população, sobre acometer idosos de maneira mais grave com maior letalidade e em jovens de maneira mais leve, embora haja óbitos em jovens também, mas não é a prevalência maior. Em crianças observa-se comportamento semelhante sobre desenvolver síndrome inflamatória multissistêmica com desfechos graves, e a doença se estabelece como mais uma patologia de potencial para gravidade na humanidade, o que preocupa muito a medicina devido à falta de vacina ainda”, explica a gerente-médica do Hospital de Mulher. A infectologista responde se, no momento, vê diferenças sobre como jovens e idosos se protegem da Covid. Enfim, se os mais velhos são mais cautelosos. “De maneira geral vejo vulnerabilidade em ambos os grupos. O comportamento irresponsável é individual, e isso afeta o coletivo, e em ambas faixas etárias há comportamento inadequado mediante a exposição”, finaliza Sarah.
ACIMA DOS 70 ANOS
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A gerente médica do Hospital Hélvio Auto, infectologista Luciana Pacheco, reforça que o maior número de óbitos ocorre nos idosos acima de 60 anos, principalmente acima de 70. A reportagem pergunta se é possível observar mudanças em relação à faixa etária dos pacientes. “Não, doença afeta as pessoas que têm se exposto mais ao vírus: pessoas nas faixas etárias entre 20 a 50 anos, no trabalho, nas aglomerações sem uso adequado de máscaras. Os idosos parecem se proteger mais, pois o número de casos nesta faixa de idade é bem menor do que nos jovens. Os idosos são mais responsáveis no uso de máscaras e no isolamento social”, explica a infectologista. No início da pandemia, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia já aconselhava que os idosos, idade acima de 60 anos, especialmente portadores de comorbidades como diabetes, hipertensão arterial, doenças do coração, pulmão e rins, doenças neurológicas, em tratamento para câncer, portadores de imunossupressão entre outras, e aqueles com mais de 80 anos e portadores de síndrome de fragilidade, adotassem medidas de restrição de contato social. “Assim, devem evitar aglomerações ou viagens, o contato com pessoas que retornaram recentemente de viagens internacionais e contatos íntimos com crianças”,destacou a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.