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Ceia natalina com card�pio regional � mais saud�vel

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FÁTIMA ALMEIDA O Natal brasileiro é importado. Desde o menu que compõe a ceia, onde panetones, tender, nozes e champanhe ocupam local de destaque, até as figuras de decoração. Na árvore de Natal não falta o efeito esbranquiçado na neve européia e se o Papai Noel chegar, que venha num trenó, puxado por renas, vestido numa enorme casaca vermelha de cetim, forrada de veludo branco, com botas e gorro apropriados para o frio. Agora, imagine um Natal com a cara de Brasil, e mais ainda, com a cara do Nordeste. Aí, como diz o compositor alagoano Eliezer Setton, o pinheiro (árvore que simboliza o Natal) podia ser um mandacaru, enfeitado de algodão. E o Papai Noel, poderia trazer seus presentes numa carrocinha puxada por um burrico. E no lugar do gorro vermelho, poderia usar um chapéu de palha para se proteger do sol escaldante do verão nordestino. Sim, o Natal brasileiro acontece em pleno verão, num calor de quase 40 graus, mas parece que estamos no inverno europeu. E essa tradição não é mera simulação. Os alimentos que consumimos na ceia de Natal brasileira, excessivamente ricos em gorduras, também são apropriados para os países frios. ?Importamos os costumes do Natal de países frios, e com eles a tradição alimentar, que muitas vezes causam indisposição orgânica, porque vivemos num País tropical. Tem gente que chega a ter diarréia, por causa do excesso de gordura acumulado com o excesso de alimentos que consumimos nessa época do ano?, explica a nutricionista Kátia Betina. ?Ao invés do nosso arroz branco, fazemos arroz à grega, que leva muita manteiga. Em geral, os pratos da mesa de Natal levam muito creme. As sobremesas, por exemplo, dificilmente se livram do creme de leite ou do leite condensado, e muitas delas pegam os dois?, diz ela. Natal tropical A nutricionista lembra que o Brasil é farto, nesta época do ano, em frutas tropicais que podem ser transformadas em saborosas sobremesas e até dar um toque especial na ornamentação da mesa de Natal. ?O panetone é feito com frutas cristalizadas porque nesta época não tem frutas frescas na Europa. Mas aqui nós temos?, lembra ela. Para um Natal tropical, não precisa radicalizar e imaginar um Papai Noel vestindo bermuda de surfista. Até porque ele passaria desapercebido e acabaria se perdendo na multidão. Também não vamos cortar da ceia de Natal todas as guloseimas que estamos acostumados a degustar. Senão, ela seria transformada numa ceia qualquer. Os vinhos são indicados, mas não se pode esquecer também de saborosos sucos de frutas de época. E não precisa dispensar o peru ou frango. Mas nada de exagerar no preparo, com ingredientes gordurosos. O presunto pode estar presente, e nesse caso o de peru é mais magro e apropriado ao clima. O purê pode ser de inhame com abóbora e um saboroso Camarão Tropical pode dar um toque e um sabor especial a sua mesa. A pedido da GAZETA, a nutricionista Kátia Betina preparou um cardápio especial para a ceia de Natal, ao gosto de qualquer brasileiro, com receitas à base de produtos regionais, ligth e com preparações fresquinhas apropriadas ao calor e aos exageros já cometidos antes, em todas as confraternizações da época. Pela tabela de preços pesquisados pela própria nutricionista, o custo de uma ceia para cinco pessoas fica em torno de 100 reais. Ela observa que parte dos alimentos será aproveitados integralmente, por isso, o custo refere-se às embalagens do supermercado. O cardápio começa com canudinhos de presunto de peru recheados com purê de maçã. Para a entrada, camarão tropical e salada verde crocante. O prato principal é composto de peixe recheado com farofa de banana comprida, legumes combinados, arroz com passas e purê de inhame com abóbora. E para sobremesa, mouse de manga com maracujá e frutas (as mesmas que compõe um belo arranjo tropical no canto da mesa, por isso, devem estar bem lavadas). No mais, bom apetite e uma noite feliz de Natal!

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