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Cidades

PARQUE CENOGRÁFICO DA SERRA PRECISA DE MANUTENÇÃO

Empresários locais conseguiram permissão federal para ajudar na preservação da área do quilombo

Por arnaldo ferreira | Edição do dia 21/11/2020 - Matéria atualizada em 20/11/2020 às 22h04

Os portões da fortaleza de Zumbi reabriram ontem. Os visitantes encontraram a área do quilombo limpa, mas imóveis cenográficos precisam de conservação. Os 240 hectares do sítio histórico, tombado em 1985 pelo então ministro da Cultura, Aluízio Pimenta, contam com a proteção de guardas florestais. Empresários locais ligados ao Rotary Clube conseguiram permissão federal para ajudar na preservação e prometem construir novas esculturas dos líderes do Quilombo para espalhar pela cidade e ajudar na atração turística. Entre as oito famílias residentes na área tombada, o mais antigo é o pequeno produtor rural Cícero João dos Santos, 80 anos, dos quais 58 morando na parte dos fundos do parque cenográfico. Viúvo há um ano, doente, sobrevive com a aposentadoria de um salário mínimo. Como os vizinhos, teme ser despejado a qualquer momento. No processo de tombamento foi iniciada a desapropriação. Até agora não houve indenização de ninguém. “Antes isso aqui era propriedade particular. Cheguei como arrendatário. Depois que a serra foi tombada, disseram que iriam nos indenizar e nos transferir para outra área. Recentemente falaram na transferência. Por isso, a gente fica com medo de ser despejado. Se sair daqui sem me relocarem, vou morar na rua”, disse Cícero com os olhos cheios de lágrimas. Ele reconhece a importância histórica da serra. “Isso aqui é um solo sagrado. Quero ficar até o fim”. Cícero conhece turistas do mundo inteiro que visitaram a serra. “Desde março isso aqui está triste, sem ninguém e fechado”, lamentou. Outra moradora da região, Lívia Cardoso dos Santos, casada com o cortador de cana José Leonardo de Lima, três filhos menores de seis anos, mora na área da serra que é propriedade particular de um grande fazendeiro da região. “Não sei muita coisa da história de Zumbi. Sei apenas que aqui estão enterrados os meus parentes (ancestrais) que vieram da África, foram escravizados e aqui viveram livres. Hoje, a gente não é escravo. Mas não temos nada nem condições de ter o nosso cantinho”, lamentou. A casa dela é de taipa, três cômodos, banheiro improvisado, não tem água tratada e recebe ajuda alimentar da família.

SEM-TERRA

Na parte baixa da serra, nas terras da falida usina Laginha, mais de 10 mil pessoas com bandeiras de dez movimentos de trabalhadores sem terra dizem que foram incentivados a ocupar a área com a promessa de que haveria um grande projeto de reforma agraria. “Estamos aqui há mais de cinco anos. Não houve a regularização fundiária e a reforma agrária não saiu do papel e, pelo visto, vai demorar”, lamenta um dos coordenadores do acampamento do MST, Jorge Góis da Silva. “No nosso acampamento tem 120 famílias. A maioria acampada há mais de cinco anos. Nunca recebemos sementes, ajuda e até agora só promessa do governo estadual”.

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