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Cidades

MÃES RETRATAM ADAPTAÇÕES AO DAREM À LUZ DURANTE A PANDEMIA

Coronavírus modificou o cenário das maternidades para evitar o contágio durante os partos

Por Clariza Santos | Edição do dia 21/11/2020 - Matéria atualizada em 20/11/2020 às 22h08

Empresária e fonoaudióloga Fernanda Trani deu à luz ao filho Gabriel logo após o primeiro decreto emergencial
A psicóloga Natália teve Vicente em abril e diz que continua mantendo todos os cuidados

A preparação para o momento sublime, como o nascimento de um filho, ganhou uma preocupação a mais em 2020: a pandemia da Covid-19. Mães que deram à luz durante à pandemia retratam cuidados e momentos ainda mais intensos durante o período de gestação e do parto, que trouxe ainda mais atenção para as mamães, e modificou o cenário das maternidades para evitar o contágio durante os partos. A Gazeta conversou com duas mães de primeira viagem, que retratam os momentos e a expectativa de receber os filhos durante a pandemia. Uma delas é a empresária e fonoaudióloga, Fernanda Trani, de 37 anos. Ela conta que se preparou por 40 semanas para receber o primeiro filho, Gabriel, um dia após a validação do primeiro decreto de emergência. Este ano, somente na Maternidade Escola Santa Mônica, por exemplo, 685 partos foram realizados durante o início do isolamento social até setembro. “Minha gestação chegava em torno das 40 semanas no final do mês de março e foi logo quando o decreto definiu o fechamento de praticamente toda a cidade. Mas antes disso já não me sentia segura para continuar na academia, pilates, o que gerou bastante apreensão nesta reta final”, disse Fernanda. Em relação aos atendimentos médicos, a fonoaudióloga conta que todos foram realizados com muito cuidado, pois não poderia adiá-los devido à data gestacional. “Durante o parto, toda a equipe bastante apreensiva e ainda sem saber lidar com esse vírus que assombrava o local. Não tive autorização para acompanhamento de alguns profissionais de saúde e infelizmente em algumas maternidades percebemos que não é cumprido igualmente para todos. Alguns casais foram beneficiados com a presença de alguns profissionais da saúde, quebrando o protocolo que era até então exigido”. O parto de Fernanda e Gabriel aconteceu na Maternidade Santa Casa e dar à luz neste período, conforme o relato da empresária, foi muito mais apreensivo do que imaginava. “Um ambiente que era pra ser acolhedor, de alegria, estava bastante tenso, repleto de trocas de olhares preocupantes, e algumas enfermeiras chegaram a questionar a tensão e angústia que estavam vivendo, e como era triste não poder acolher as gestantes com um abraço e um largo sorriso, pois estava escondido pela máscara. Meu obstetra, Dr Antônio Moraes, foi o responsável por toda minha calmaria, paz, segurança e cuidado neste momento tão esperado da minha vida”. A volta pra casa, segundo o relato da mamãe Fernanda, foi um misto de alegria e dor. “Estávamos trazendo nosso pacotinho de amor para nosso lar, mas ao mesmo tempo nos deparamos com a ausência dos familiares, da nossa rede de apoio, tivemos de suspender o trabalho de nossa doméstica, e ainda nos deparamos com a dificuldade de conseguirmos atendimentos pediátricos, em postos de saúde, escassez de algumas vacinas e até mesmo o medo de sair às ruas para um banho de sol no bebê”. Para ela, tem sido um período bem angustiante e desafiador. Apesar de que, ainda como relata Fernanda, muita gente acha que a pandemia acabou, ainda estamos expostos a esse grande risco. “Minha rotina mudou totalmente, a empresa que administro ficou um tempo fechada, quando reabriu ainda estive impossibilidade de ir, devido ao grupo de risco por ser puérpera, pelo risco de transmissão ao meu filho recém-nascido e toda a logística de funcionamento e administração teve que ser feita de casa. Não saía para nada; serviços de supermercado, açougue, farmácia, tudo era feito pelo meu esposo. Mas se posso dizer que em algum momento a pandemia teve seu lado positivo, foi a possibilidade de neste período de 6 meses, acompanhar todo o desenvolvimento do meu filho: permanecer em amamentação exclusiva em livre demanda, que só foi possível pela ajuda da consultora Joyce Andrade, acompanhar cada sorriso, cada balbucio, o sentar, a evolução, enfim, do meu bebê”. Já a mamãe Natália Rodrigues, psicóloga, 32 anos, deu à luz a Vicente. A gestação entrou na reta final em abril de 2020, sendo o parto no dia 6 de abril, o que a proporcionou durante a maior parte da gestação, o acompanhamento normal, as mudanças devido à pandemia aconteceram no final da gravidez. “Fiquei sem sair de casa, minha família não pôde acompanhar os final da minha gestação, as aulas de pilates foram transferidas para o modelo online, no entanto as rotinas de exames e consultas continuaram porém com o protocolo de segurança . No parto a principal dificuldade foi não poder ser acompanhada pela minha doula, apenas meu marido pôde entrar. E por orientação da minha obstetra, boa parte de Trabalho de parto aconteceu em casa...só fui para o hospital perto de o bebê nascer”. O parto normal aconteceu no hospital Arthur Ramos, Nathália conta que, na madrugada do parto, estava tranquila, no entanto existia a preocupação de passar o menor tempo possível no hospital, além de sentir falta dos abraços e das visitas tanto da minha equipe quanto da minha família. “Na volta para a casa as mudanças de rotina em função do bebê foram multiplicadas por conta da pandemia, sem visitas, apenas minha mãe, pai e irmãs conheceram meu filho nos primeiros dias...sempre com máscaras, lavando as mãos com frequência, e uma grande preocupação em proteger ele e me proteger também já que puérperas também fazem parte do grupo de risco”, contou Nathália. Com a rotina modificada, a psicologa conta que quase não saem. “Somente para rotina de médicos e vacinas do bebê, e apenas meu marido faz a compras de feira, sandálias não entram em casa, quem chega da rua toma banho antes de pegar no bebê. Enfim, continuamos tentando manter os cuidados. Outra mudança foi com relação a minha volta da licença maternidade, em função da pandemia eu estou em home office. O que, por outro lado, me possibilita passar mais tempo com meu Vicente”.

ALTO RISCO

A maternidade Escola Santa Mônica, localizada no Poço, em Maceió, realizou 685 partos em gestantes de alto risco de março a setembro deste ano. Por lá, medidas de segurança foram adotadas para evitar o contágio.

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