Pandemia
PREÇO DE ALIMENTOS IMPACTA RECEITA DOS RESTAURANTES
.
Impactado pela pandemia do novo coronavírus, o grupo de Alimentação no Domicílio atingiu 18,41% no acumulado nos últimos doze meses, influenciado o Índice Preços ao Consumidor Amplo - que mede a inflação oficial no País. Os dados, divulgados pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da Ministério da Economia, mostram que em março, na fase pré-pandemia, o grupo tinha um índice de 5,06%.
Assim, não apenas quem cozinha em casa teve que lidar com o ajuste, mas os restaurantes também. Tanise Laís, de 32 anos, filha da dona do Sobradinho, restaurante de pratos feitos por R$12 no Centro de Maceió, afirma que a empresa está chegando no limite. “Não podemos aumentar o preço, porque o movimento já está caindo. Mas estamos pensando em dezembro talvez fazer algum ajuste”.
Tanise foi trabalhar no restaurante da mãe para ajudar no que pudesse, já que houve muitas demissões devido a diminuição do movimento por causa da pandemia de Covid-19. “Estamos atendendo uns 60% só do que atendíamos. Vendíamos quentinhas e não vendemos mais. Tudo é um preço só pelo prato feito”, explicou.
Em relatos que vem escutando de outros integrantes da sua família que também tem restaurantes no Centro, ela afirmou que o pacote de calabresa custava R$30 e agora está por R$80. “E a gente não pode repassar o preço. Estamos segurando ao máximo. Tem apenas duas pessoas trabalhando agora”.
Já Delano Jatobar, de 66 anos, dono de uma lanchonete que atende no café da manhã e no almoço, por R$10 cada prato, garante que ainda está segurando as pontas por ser dono do prédio. “Se fosse para pagar aluguel, era sem condições”, ressalta.
De acordo com Jatobar, esse ano foi cheio de ajustes para o funcionamento do estabelecimento. “Fechamos nos primeiros 30 dias [do anúncio da pandemia], depois ficamos fazendo delivery por um tempo, ai quando reabriu, os fregueses vieram. Até tentaram subir os preços por aqui, mas o movimento abaixou demais. Se aumentar não consegue vender.”
Assim como no Sobradinho, a lanchonete Bola de Neve também reduziu seus funcionários. “Estamos trabalhando aqui só a família, chegamos de 5 horas da manhã, desse jeito não pagamos salário, só uma ajuda. Não temos condições de pagar mais nenhum salário.” disse Lúcia Jatobar, de 68 anos.
Quando questionados quais os alimentos que mais aumentaram o preço o casal respondeu que os mais básicos que eles precisam fazer todos os dias. “Arroz estourou, feijão, carne nem se fala. Mesmo assim, desde o ano passado que o preço do prato aqui continua o mesmo”.
Lúcia acredita que ainda vai piorar muito. “Os restaurantes não estão aguentando, muitos fecharam e muita gente perdeu o emprego, só por aqui nas ruas próximas fecharam uns 3”.
* Sob supervisão da editoria de Economia.