Cidades
USO EXCESSIVO DO CELULAR É ASSOCIADO A DANOS FÍSICOS E PSICOLÓGICOS
Dependência tecnológica pode ser encontrada em qualquer idade e requer ajuda profissional
Com um uso constante e muitas horas gastas no celular, o alagoano tem sentido as consequências do excesso se refletirem na saúde, principalmente no contexto da pandemia de Covid-19. O aumento da necessidade diária dessas tecnologias impactou na qualidade do sono e no humor dos usuários. Pouco menos de um mês após a publicação de um experimento alemão que apontou evidências de que o uso intenso do celular se assemelha ao vício em drogas e jogos, queixas como casos de ansiedade, enxaquecas, prejuízos visuais e sociais associados ao vício nos smartphone seguem constantes nas unidades de saúde do estado.
Estagiário de uma Unidade Básica e Saúde em Marechal Deodoro, Gustavo Mendonça conta que vê com constantemente casos de prejuízos na visão, associados ao mal uso do celular, na unidade em que trabalha. “Em uma semana eu recebo no mínimo 2 a 3 pacientes com queixas de enxaqueca ou perda de acuidade visual que a gente identifica que são casos associados ao mal uso desses equipamentos”, ele revela. O rapaz explica também que, em geral, casos mais graves estão associados também a outros fatores, mas que, principalmente entre jovens e crianças, queixas desse tipo são sempre descobertas nas consultas.
Para a psicóloga Jacqueline Pinto, queixas nas quais se percebe uma situação de “dependência tecnológica”, são comum no consultório. “É observado níveis altos de estresse, e consequentemente a irritabilidade, quando não há o acesso aparelho. O dependente tecnológico, assim como o químico, só percebe quando sofre perdas significativas”, ela destaca. Apontando para as consequências emocionais e sociais desse quadro de compulsão, Jacqueline associa ainda problemas como ansiedade, transtornos de humor, danos nos relacionamentos sociais e problemas no sono como consequências desses quadros.
É o que Celso Gomes, pai de um casal de 12 e 10 anos, aponta sobre o uso do celular pelos filhos. “A forma como eles lidam com os problemas fica prejudicada. Há uma irritabilidade muito grande”, destaca o pai. Ele acusa também a situação do ensino remoto adotado durante a pandemia como um agravante dessa situação. “Eles agora passam o dia inteiro no celular porque precisam. Além das consequências desse excesso, a aprendizagem deles também não é a mesma coisa do que presencialmente na escola. Eles saem disso super prejudicados, porque nós não conseguimos administrar esse uso”, confessa.
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Sobre problemas como esse, a psicologa destaca que “a dependência tecnológica pode ser encontrada em qualquer idade”. Ela enfatiza a necessidade de buscar ajuda profissional, mas que a consciência pessoal é uma parte importante nesses casos. “Assim como toda dependência, é importante perceber quais as perdas, e focar no ganhos que terá ao deixar seu uso”, ela
ENTENDA O ESTUDO ALEMÃO
`Pesquisadores alemães publicaram, em novembro, um estudo que associa o uso excessivo do celular a comportamentos impulsivos, geralmente associados a vícios como drogas, álcool ou jogos de azar. A pesquisa foi publicada na revista científica PLOS ONE, e diz ter observado 101 participantes e suas práticas no uso da tecnologia. Segundo os pesquisadores, os pacientes com um uso mais acentuado do aparelho celular foram associados a uma maior tendência à atitudes impulsivas. Nesses casos, foi visto também uma atividade cerebral maior em áreas ligadas a sensação de recompensa. Essas são características comumente ligadas a pacientes com dependência química ou vício em jogos de azar, por exemplo. Ainda não se tem certeza quanto ao sentido de causa e efeito no observado, ou seja, se o comportamento é causado pelo uso excessivo do celular, ou se esse uso é consequência de uma personalidade naturalmente impulsiva. O que se sabe de fato é que o uso desmedido de computadores e smartphones acarretam uma série de prejuízos que são verificados cotidianamente por médicos e psicólogos.