Cidades
MUITOS JOVENS NÃO ABREM MÃO DOS MOMENTOS DE LAZER
Para infectologista, se não houver responsabilidade por parte da população, número de casos será cada vez maior
Alguns jovens, mesmo cientes dos riscos, não deixaram de aproveitar e curtir os momentos de lazer, como é o caso de Victor Curvelo, de 19 anos. “Durante a pandemia eu saí para vários lugares diferentes, então, não acredito que tenha afetado totalmente minha rotina. Mas, claro, lembrando, eu sempre saio seguindo todos os protocolos, como o uso de máscara. E normalmente eu só saio se estou ciente que aquelas pessoas que me encontrarei também estão tendo os mesmos cuidados”, disse.
“Para mim, o ‘novo normal’ tem funcionado sim. A única pessoa que conheço, próxima a mim, que se contaminou, foi porque deu seus deslizes e deu muita má sorte, acabando por pegar o vírus. Mas, seguindo os protocolos, seja em festas ou em locais com pouca gente, dá sim para continuar vivendo normalmente. Por protocolos eu digo o uso de máscara, usar álcool em gel sempre, não dividir copos ou ficar em locais com muitas pessoas ao mesmo tempo etc.”
Ele contou também que o clima com seus amigos era de tranquilidade até as eleições municipais, onde não estavam se cuidando tanto e saindo sempre. Atualmente, com o risco da segunda onda, segundo ele, os cuidados voltaram a ser presentes. “A possibilidade da segunda preocupa bastante por aqui em casa ter gente do grupo de risco que, eventualmente, precisa sair de casa, então o risco para elas é grande”, relatou o jovem.
IRRESPONSABILIDADE
Para o infectologista Marcelo Constant, o aumento no número de casos entre jovens mostra como a população tem lidado irresponsavelmente com a pandemia. “Esse aumento no número de casos é preocupante porque se não bastasse o aumento em quem não teve contato, estamos vendo também casos de reinfecção, ou seja, enquanto não houver um controle efetivo da população, que espere pela vacinação, os números serão cada vez maiores”, disse. “Jovens, especificamente, se sentem acima de tudo, como se pudessem fazer qualquer coisa e não ter consequências disso. Mas a questão é aquela, mesmo que você não pegue ou tenha sintomas leves, você ainda é vetor e pode transmitir para outras pessoas, esse é o foco a se considerar. Lembrando também que não é por ser jovem que os sintomas serão mais leves. Isso está muito ligado à irresponsabilidade das pessoas, que avaliam mal o cenário da pandemia. Muitos acham que está acabando e começam a fazer tudo que faziam antes do coronavírus chegar. Isso é irresponsabilidade.” O infectologista ainda fez um apelo para aqueles que desconhecem ou não entendem o impacto do novo coronavírus e pede que, se não for essencial, fiquem em casa. “É preciso lembrar que não temos uma vacina e que o vírus não desapareceu. Estamos indo, possivelmente, para uma segunda onda, então os cuidados não podem acabar. Só saiam de casa se for totalmente essencial, mantenham o distanciamento mínimo, não se aglomerem, andem com álcool em gel e máscaras”, destacou o médico. “O vírus pode não ser fatal para você, mas é para seu pai, mãe, avós e tios. Sejam empáticos.”
* Sob supervisão da editoria de Cidades.
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