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Superlota��o: UE tem 130% da capacidade ocupada

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CAÍQUE MARQUEZ Um drama que parece não ter fim voltou a acontecer no feriado de Natal. O atendimento na Unidade de Emergência (UE) Dr. Armando Lages viveu momentos de terror, devido à superlotação, provocando situação de caos em todos os setores do hospital. Centenas de pacientes que deram entrada no Pronto-Socorro de Maceió, no último dia 25, foram obrigados a dividir o espaço nos corredores com camas e cadeiras sujas de sangue. Os pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) viveram momentos de sofrimento, aguardando atendimento no chão, que em função da superlotação não tinha nenhuma condição de higiene, o que aumentou o risco de os pacientes adquirirem infecção hospitalar. Transferências Ontem, a situação ainda não havia sido normalizada. As pessoas continuavam esperando nos corredores. O movimento só diminuiu um pouco a partir do momento em que foram feitas algumas transferências para os postos de saúde de Maceió. O diretor-médico da Unidade de Emergência, Geraldo de Lima, explicou que o movimento da véspera de Natal e do Natal foi muito grande, superando a capacidade do hospital. Ocupação Segundo ele, do dia 24 para o dia 25 deram entrada na Unidade 346 pacientes e no dia 25 para o dia 26 deram entrada 450 pessoas. A ocupação dos leitos chegou a 130%, sendo que o correto seria não ultrapassar 80%, para que o hospital pudesse garantir atendimento em caso de algum acidente grave de grande porte. Geraldo de Lima explicou que a falta de higiene registrada na unidade foi gerada por causa do corre-corre dos funcionários, que procuraram atender a todos os pacientes. ?Não há como justificar isso, mas o pessoal estava trabalhando num ritmo muito desgastante. Por isso acumulou material usado no chão e sangue nas cadeiras e macas, mas tentamos corrigir o problema na medida do possível?, frisou o médico. Ele acrescentou que nos anos anteriores sempre foi observado que nos dias 24 e 25 de dezembro o movimento na UE era menor. ?Este ano nós fomos surpreendidos com a demanda. Entre os fatores que contribuíram para a superlotação foram as ocorrências de acidentes no interior do Estado, o que dificultou muito o atendimento?, salientou Geraldo. O diretor-médico informou que muitos pacientes deveriam ter sido encaminhados para a UE do Agreste, em Arapiraca, mas devido à falta de neuro-cirurgiões no local, acabaram sendo transferidos para Maceió. ?Diante da situação que enfrentamos, nós médicos nos sentimos impotentes e com uma sensação de frustração muito grande. Infelizmente, a resolução do problema da superlotação não depende de nós?, afirmou Geraldo de Lima. A UE recebe pacientes de todo o Estado e nem sempre os casos caracterizam situação de emergência. Em função da deficiência em algumas áreas da saúde pública, que não consegue atender à demanda, essas pessoas acabam recorrendo à unidade com problemas que deveriam ser resolvidos em postos de saúde. CRM quer mais leitos no hospital O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Manuel Fortes, declarou que os médicos não podem ser responsabilizados pelos problemas ocorridos na Unidade de Emergência de Maceió. Emanuel disse que o médico só é considerado responsável se uma pessoa necessitada de atendimento deixar de ser socorrida. ?Os médicos que atuaram na UE nesse feriado foram heróis. Eles fizeram o que poucas pessoas poderiam conseguir, que é garantir o mínimo de atendimento no local. A situação do hospital é um ataque à medicina e nós discutimos esse problema há dez anos?, salientou. De acordo com Emanuel Fortes, serão disponibilizados mais 70 leitos para a UE e o CRM estuda formas para melhorar o atendimento. Infra-estrutura ?É necessária a articulação de uma melhor infra-estrutura. Existem quatro ambulatórios de urgência 24 horas do Estado, que precisam de ajustes para atender determinada demanda. Além disso, existem os ambulatórios da prefeitura, que precisam estar articulados com os do Estado. Os hospitais públicos e privados também devem procurar organizar sua demanda. Tudo isso não depende só de uma ação do Estado?, ressaltou o presidente do CRM. Emanuel Fortes também atribuiu a superlotação à UE ao fato dos miniprontos-socorros não cumprirem sua função de atender casos de urgência. Para atender à demanda, eles terminam funcionando como postos ambulatoriais e o atendimento fica sobrecarregado. ?O minipronto-socorro do Benedito Bentes, o bairro mais populoso de Maceió, só possui duas especialidades: pediatria e clínica médica. Qualquer outro tipo de problema deve ser encaminhado para a Unidade de Emergência. Alagoas precisa fazer um pacto da Saúde, envolvendo governo, prefeitura, CRM, Ministério Público Federal e Estadual, Delegacia Regional do Trabalho e universidades, para que as soluções discutidas possam sair do papel?, observou Fortes.

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