Cidades
Peixe-boi nascido em cativeiro tenta se adaptar ao litoral alagoano
BLEINE OLIVEIRA O peixe-boi marinho Assú continua na orla de Maceió, mais precisamente na Bacia da Pajuçara. Há cerca de três semanas o animal tem aparecido naquela área, transformando-se em atração para banhistas e demais freqüentadores da orla quando a maré baixa e fica abrigado em alguma pequena piscina natural próximo à praia. O ecólogo Matheus Gonzalez informa que Assú não está encalhando, mas ?procurando um lugar ideal para transformar em seu hábitat?. Por isso, faz um apelo à população: que não se aproxime e não dê comida ao animal. Ações como essas prejudicam o processo de adaptação dele ao meio natural. O objetivo do projeto desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) é repovoar o litoral com esse mamífero, o único da espécie que é totalmente vegetariano e que está praticamente em extinção. Segundo Gonzalez, em toda a costa alagoana devem existir cerca de 25 ou 30 peixes-boi, uma população que já foi duas ou três vezes maior. ?Ainda temos animais nativos, mas hoje é quase impossível localizá-los, de tão raros?, afirma o ecólogo. Iniciado em 1990, o Projeto Peixe-Boi, do Ibama, tenta repovoar os litorais alagoano e nordestino. Seis animais criados em cativeiro foram devolvidos ao mar e estão sendo monitorados pelo instituto. Criado em cativeiro, o peixe-boi Assú foi solto junto com a fêmea Nina, da mesma espécie, na segunda quinzena de outubro último, para que aprenda a viver em ambiente natural. Eles foram libertados na Praia da Laje, no município de Porto de Pedras. ?A fêmea já se adaptou e raramente é vista em áreas habitadas?, afirma Matheus Gonzalez, que presta serviços ao projeto Peixe-Boi Marinho. Na área onde estabeleceu seu hábitat, Nina encontrou comida e água doce. Indagado sobre o distanciamento entre os dois peixes-boi, já que foram soltos no mesmo momento e na mesma área do mar, o ecólogo explica que a espécie não tem hábito de viver em bando. ?Isso só ocorre na fase do acasalamento ou enquanto são filhotes?, explicou ele. O que está ocorrendo com Assú, para que continue sendo visto na orla da Pajuçara, é que ele está explorando o litoral de Maceió em busca de um lugar ideal para viver. A proximidade com a praia é encarada como resquício de sua criação em cativeiro, ou porque está encontrando naquela área condições que considera ideal. Ele pode estar tentando, também, achar o caminho para a Lagoa Mundaú, em busca de água doce. Mais uma vez Matheus Gonzalez pede às pessoas que evitem tocar ou dar comida ao peixe-boi. ?Chegaram a dar cachaça ao animal, e isso é uma violência sem tamanho?, reclama o técnico, insistindo que a população ajude no processo de readaptação.