Cidades
RETORNO DAS AULAS PRESENCIAIS EM JANEIRO DIVIDE OPINIÕES
Para infectologista, medida exigirá força-tarefa para acompanhar volta dos estudantes às escolas
Um dos assuntos mais polêmicos com o avanço da Covid, o retorno às aulas presenciais em parte das escolas do estado está previsto para acontecer antes mesmo do início da vacinação no Brasil. No centro dessa discussão estão as crianças – mais poupadas na pandemia – mas que também transmitem a doença, adoecem e morrem. Desde março foram quase 3 mil infectados com até dez anos e treze mortos nessa faixa etária em Alagoas. A discussão sobre o tema envolve a preparação das escolas, ambientes de intenso contato físico.
Para a infectologista Luciana Pacheco, a retomada das aulas presenciais é uma decisão difícil e vai exigir uma verdadeira força tarefa que deve acompanhar a volta dos alunos, com planejamento do governo, das unidades e das famílias. “Esse é um tema muito polêmico, porque achavam de início que as crianças não adoeciam, mas adoecem, certo que a maioria das vezes tem forma leve. No primeiro momento distanciaram os alunos, sem aula, mas o que estamos vendo é que está muita gente na rua”, avalia a médica.
Como se trata de um vírus surpreendente, mesmo levando em conta que todas as faixas etárias podem se infectar, ultimamente os jovens estão sendo mais afetados, provavelmente em decorrência da flexibilização do isolamento social. “Os pediatras fizeram uma rede de incentivo de volta às aulas porque as crianças ficam em casa com computador todo o tempo, sem contato com outras crianças, e isso é muito prejudicial também. O que está acontecendo é que os adultos estão saindo e levando a doença para dentro de casa. Dependendo do país, que é o nosso caso, vai demorar para vacinar os mais jovens e não se sabe ainda a eficácia nessa faixa porque têm vacinas que nem foram testadas nas crianças”, afirma Luciana Pacheco.
Anúncio foi erro do governo
Na avaliação da presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Consuelo Correia, o anúncio de retorno das aulas presenciais, sem discutir com a comunidade escolar, foi um erro do governo do Estado. “Lamentamos que o anúncio do governador aconteça sem nenhum diálogo com a comunidade escolar sobre as condições para o retorno em um momento em que pesquisadores da Ufal confirmam a segunda onda de Covid em nosso estado. A ausência de diálogo deixa inúmeras incertezas sobre as condições sanitárias para o retorno e coloca em risco profissionais, alunos, pais e mães fortalecendo a possibilidade de aprofundamento da epidemia em nosso estado”, afirma Consuelo.
A presidente do Sinteal questiona como será o retorno, as condições das escolas, o transporte escolar e como ficará a situação dos profissionais. “Como serão as férias de alunos e profissionais que vão trabalhar no ano letivo de 2020 até janeiro de 2021? O governador aponta uma fala para a mídia que preocupa pela levianidade em que um tema complexo que de fundo traz questões que podem determinar a vida ou a morte de milhares de alagoanos sem destrinchar nada dos impactos que esta decisão proporciona. Por tudo isso, somos contra o retorno presencial sem as devidas condições”, afirma.
À Gazeta, Consuelo fala sobre qual deveria ser a posição do governo do Estado em relação à volta das aulas presenciais. “O governo precisa ouvir a população, esmiuçar um plano sério de isolamento social que diminua o contágio pelo vírus, agilizar o processo de vacinação em massa e cuidar das pessoas. As escolas são locais de contato humano permanente, e devem ser entendidas como tal. O retorno presencial sem as condições sanitárias é o prenúncio de uma tragédia sem precedentes, quem se responsabilizará pelas vidas humanas que estão em jogo? O governo precisa ouvir mais e tratar com seriedade a educação pública. Educação é um instrumento para a melhora da vida das pessoas, não pode ser parte de uma política de morte em que o exercício do ensino e da aprendizagem coloque em risco tantas vidas humanas”, conclui a sindicalista.
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