Cidades
CENTRO QUE ACOMPANHA PESSOAS COM SEQUELAS JÁ ATENDEU 1.796
Local conta com diversas especialidades e o atendimento é feito através de encaminhamento
Muito se fala a respeito do tratamento contra a Covid-19, mas pouco se fala sobre o acompanhamento daqueles alagoanos que se recuperaram da doença mas ficaram com sequelas do vírus. Seja casos de quedas de cabelo, fadiga prolongada ou perda total do paladar e olfato, os resquícios da Covid continuam aparecendo. Para o tratamento dessas pessoas, a capital dispõe do Centro de Especialidade Eliane Machado, inaugurado em agosto e localizado próximo ao PAM Salgadinho, no Centro de Maceió. Até o momento, 1.796 atendimentos já foram realizados.
Segundo o secretário municipal de Saúde, José Thomaz Nonô, a nova unidade surgiu para atender a uma demanda nova e importante, que são as sequelas da covid-19. “Muitas pessoas, depois de terem alta médica continuam a apresentar sintomas incomuns, então esse cuidado é essencial para que esses pacientes acometidos pela doença se recuperem de forma plena, tendo qualidade de vida de volta”, destacou o gestor.
De acordo com informações da assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde SMS), o Centro de Especialidades já está em funcionamento desde agosto e já conta com 1.796 atendimentos desde sua abertura. De acordo com os dados, setembro foi o mês com maior número de atendimentos realizados no Centro, com o total de 586 casos registrados. Outubro segue sendo o segundo mês com maior quantidade, chegando a 459; novembro vem em seguida, com 389 atendimentos; agosto com 193 e dezembro com 169 casos registrados.
Já com relação aos atendimentos para as especialidades disponíveis no local, os pneumologistas encabeçam a lista dos mais procurados, com 296 atendimentos. Em seguida vêm os neurologistas (277); cardiologistas (220); otorrinolaringologistas, com 196; alergologistas (127); infectologistas, totalizando 96 atendimentos. Por último vêm os geriatras, hematologistas, nefrologistas e os obstetras, com 79, 30, 25 e 24 atendimentos respectivamente.
O atendimento no Centro, segundo informações, é feito de segunda a sexta, das 7h às 19h, mas não é “portas abertas”, apenas com horário marcado. Para ser atendido, o paciente deve ser encaminhado das unidades de saúde do município ou de hospitais. Existe possibilidade também de marcação pelo Complexo Regulador de Maceió (Cora).
Além das consultas com especialistas com pneumologistas, cardiologistas, neurologistas, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros especialistas. Exames como tomografia, ecocardiograma, eletro e raio-X também são feitos no local. Alguns procedimentos também serão realizados no PAM Salgadinho.
SEQUELAS DA DOENÇA
O tipo de sequela pode mudar a depender de cada pessoa e nem todos os sintomas já são conhecidos. No caso de Flávio Maia, professor universitário de 30 anos e que teve a Covid-19 no começo de dezembro, as sequelas que ainda perduram são perda de olfato e paladar. “ Não sei como me contaminei, talvez no ônibus ou na academia. Fiquei doente no início do mês e durante 15 dias mantive o isolamento, mas os sintomas duram até hoje”, relatou. “A covid em si já afeta. Não importa a gravidade da doença. Ela mexe com o psicólogo da gente, eu fiquei mais ansioso e com dificuldade para dormir, por exemplo. Como apresentei sintomas de um resfriado, me preocupei mais quando perdi o olfato e o paladar, que até hoje ainda não recuperei totalmente. Tem sido uma recuperação lenta, além de afetar o psicólogo a falta de cheiro e gosto quando vou comer algo deixa meio triste”, disse o professor. O caso de Joyce Beatriz, estudante de jornalismo de 23 anos, é um pouco parecido. A estudante, apesar de respeitar o isolamento em respeito a seus pais, que fazem parte do grupo de risco, precisou trabalhar. “Desde quando começou a quarentena que eu fiquei em isolamento com meus pais. Mas chegou um momento que tive que trabalhar. Nas pautas na rua acabei me contaminando”, relatou a jovem. Ela contou também que o teste que fez deu negativo, mas que provavelmente foi um ‘falso negativo’, considerando que ela apresentou todos os sintomas e logo depois o segundo teste deu positivo. “O primeiro teste deu negativo, mas aí eu já fiquei doente, sentindo febre e dor de cabeça no mesmo dia que o meu primeiro teste deu negativo. Daí comecei a ter outros sintomas, como diarreia, dores no corpo, dores no peito e costas. Três dias sentindo esses sintomas, no quarto comecei a ter muita falta de ar. Fiquei 7 dias com falta de ar, febre, dor de cabeça, dores nas costas, peito e pernas”, relatou “Eu faço futevôlei. Depois da covid-19, meu desempenho é ruim. Não consigo correr por 15 mim, já fico cansada. Tiveram dois dias que eu fui de bicicleta da minha casa (Ponta Grossa) até a Cruz das Almas, pela praia mesmo, e quando eu cheguei em casa, comecei a passar mal, com falta de ar, muita falta de ar. Eu tenho até hoje as dores nas costas e falta de ar constante.”