Cidades
AL E SE TÊM 234 INDÍGENAS INFECTADOS
O número de infectados entre os indígenas brasileiros vêm aumentando a cada dia. Paralelo a isso, o Governo Federal ainda não validou nenhuma ação para tentar conter o avanço do novo coronavírus entre os povos indígenas. No mês de dezembro, o Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu não validar mais um plano apresentado, dando até o dia 8 deste mês para que as alterações necessárias sejam feitas. Enquanto um plano não sai, o número de casos de indígenas de Alagoas e Sergipe já chega a 234 casos e quatro óbitos.
De acordo com o último Boletim Epidemiológico da Covid-19 do Distrito Sanitário Especial Indígena Alagoas e Sergipe (DSEI), referente ao dia 23 de dezembro, o número de casos confirmados nas comunidades indígenas de Alagoas e Sergipe chega a 234, onde 227 já são considerados curados. O boletim também aponta que os óbitos já somam quatro casos e o número de suspeitos chega a três.
Atualmente, as duas comunidades com maior número de casos confirmados são a comunidade dos Jeripankó e dos Kariri Xocó, ambas com 51 índios contaminados. Em segundo lugar vem a comunidade dos Wassu Cocal, com 37% positivos; Xucuru Kariri, com 33 infectados; Xocó (27); Karapotó Terra Nova e Katokinn, ambos com 12 casos; Karuazu (5); Karapotó Plak-ô, com 4 e as comunidades de Kalankó e Tingui Botó, ambas com somente um caso confirmado.
DESCASO DO GOVERNO
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De acordo com Jorge Vieira, coordenador do Núcleo de Pesquisa Acadêmico Afro e indígena de Alagoas (Nafri), o Governo brasileiro vem tratando com descaso a pandemia para todos os setores. “É lamentável que o governo não tenha plano pra nada, e que venha tratando isso tudo com desdenho e descaso há um bom tempo. No caso dos indígenas, tem um segundo agravante, porque o descaso envolve preconceito, descriminação e exclusão. Não está sendo cumprido o que manda a constituição sobre o resguardo dos direitos indígenas”, disse o coordenador. “Deveria haver um planejamento e a criação de um programa destinado a essas populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Um plano de proteção à vida e não deixá-las à mercê do vírus como anda acontecendo. O coronavírus é mortífero para todos, mas de uma forma mais contundente para os povos indígenas, que não são imunes às doenças que são levadas por aqueles que não fazem parte das tribos”, pontuou Jorge Vieira. Vieira ainda frisou que, um plano efetivo envolve uma articulação federal, estadual e municipal e tem que estar dentro das regras sanitárias do que prevê os avanços científicos em torno da nova doença. “Se não agirmos logo teremos um genocídio e etnocídio da população indígena brasileira, a exemplo de 1.500 e do que vem sendo feito ao longo dos últimos 500 anos.”