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ALTA TEMPORADA LEVA TURISTAS COM COVID A HOSPITAIS DE MACEIÓ

Receio é de colapso no sistema de saúde caso demanda por internações continue crescendo

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Maceió, 03 de setembro de 2020  
Maceió Mar Hotel, locacizado na Av. Álvaro Otacílio, 2991 - Ponta Verde, Maceió. Alagoas - Brasil.
Foto: ©Ailton Cruz
Maceió, 03 de setembro de 2020 Maceió Mar Hotel, locacizado na Av. Álvaro Otacílio, 2991 - Ponta Verde, Maceió. Alagoas - Brasil. Foto: ©Ailton Cruz -

O desfecho das aglomerações que ocorreram especialmente no fim do ano deve chegar ainda no mês de janeiro e pode custar caro a Alagoas. Mais pessoas próximas, mais casos, mais internações, mais mortes por Covid. Tudo isso em plena alta temporada. O receio é que a chegada de 2021 traga o risco de colapso do sistema de saúde, caso ocorra aumento da demanda por internações. Uma situação serve de alerta: hospitais da capital passaram a atender turistas infectados pelo coronavírus nas últimas semanas. Na primeira semana de janeiro, mesmo com a abertura de novas vagas nos hospitais, Alagoas viu aumentar o número de casos e mortes causadas pelo novo coronavírus, assim como a taxa de ocupação de leitos para pacientes com Covid-19. Entre o início de dezembro e este mês, a demanda por vagas gerais, de UTI e com respiradores aumentou cerca de 10%. “A gente tem observado o aumento da demanda de turistas com Covid, temos recebido um número expressivo em relação aos de Alagoas. São pessoas oriundas de outros estados que estavam fazendo turismo em Maceió”, declarou o diretor médico da Santa Casa de Maceió, Arthur Gomes Neto. Os especialistas lembram que enquanto não houver imunidade coletiva - que deve ser alcançada com a vacinação em massa - os cuidados para evitar a proliferação do coronavírus devem continuar. “Logo após as eleições a gente teve aquele aumento importante que foi lentamente diminuído, entretanto a gente teve nos últimos dias um número maior de atendimentos na emergência. A gente está esperando que nos próximos dias tenhamos aumento do número de pessoas com o coronavírus decorrente das aglomerações, de reuniões entre amigos e família, que aconteceram no Natal e sobretudo na virada de ano”, completa o médico Arthur Gomes Neto.

A expectativa da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) é de 750 mil turistas para a alta temporada de verão, entre os meses de dezembro de 2020 e março de 2021, que engloba os períodos de natal e ano novo. Segundo a secretaria, o número leva em consideração não só o contingente aéreo atual, mas também o turismo rodoviário e o fluxo de veranistas para casas de aluguel por temporada, mercado aquecido no cenário pós-quarentena.

Na avaliação de Rodrigo Cruz, médico clínico da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Memorial Arthur Ramos, que acompanha de perto a evolução da Covid, devemos esperar por aumento de registro da doença. “Acreditamos que está para chegar um novo salto no número de casos e óbitos devido as aglomerações e festas sem as medidas de proteção adequadas”, explica. Sobre o que pode ser feito para reduzir o impacto nas internações após eventos que reuniram muita gente, segundo Cruz, é preciso continuar evitando todo tipo aglomeração (com cinco pessoas ou mais) para impedir a propagação do vírus na comunidade. “Manter o uso de máscaras fora de casa nos locais públicos e de trabalho também é uma medida eficaz que reduz consideravelmente o contágio e a transmissão do vírus. Higienização das mãos frequentemente com água e sabão ou preparação alcoólica 70%. Ficar em casa sempre que possível. Boa parte das pessoas que transmitem o vírus apresentam pouco ou nenhum sintoma, por isso festas, encontros sociais e aglomerações devem ser evitados a todo custo neste momento, é imprescindível a ação consciente de todos para contenção da propagação do vírus, evitando sobrecarregar o sistema de saúde e mais mortes pela Covid-19”, detalha o médico clínico. A reportagem pergunta a Rodrigo Cruz como avalia a adesão da população alagoana às medidas para prevenir a Covid. “A pandemia não nos deixou ainda, nossos hospitais continuam lotados e UTIs com muitos pacientes graves pela Covid e infelizmente o descaso é assustador com as recomendações de controle, observado principalmente nas festas e aglomerações não essenciais, assim como o descaso no uso da máscara no comércio e nas ruas”, acrescenta.

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