Cidades
VACINA ENTREGUE ATÉ AGORA IMUNIZA POUCO MAIS DE 1% DOS ALAGOANOS
Primeira etapa do processo de imunização deve ser concluída em duas semanas
Dez meses após a confirmação do primeiro caso de Covid em Alagoas, um alento para tantos que perderam e temem perder alguém nessa guerra ocorreu na terça-feira, dia 19, data que ficou marcada pelo início da vacinação no estado. Não estamos livres da pandemia e muito caminho ainda precisa ser percorrido até a imunização coletiva. Nesse primeiro momento, mais de 40 mil pessoas – pouco mais de 1% da população alagoana – estão recebendo a Coronavac nos 102 municípios.
Nessa primeira fase, a chegada de 87 mil doses da vacina Coronavac a Alagoas, na noite da última segunda-feira (18), trouxe esperança aos alagoanos que desde março de 2020 vivem uma pandemia. Trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente, indígenas e idosos que residem em albergues e asilos, com 60 anos ou mais, são os primeiros imunizados. Outras 25 mil doses foram divididas para os 102 municípios alagoanos, ficando Maceió com mais de 12 mil.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que a primeira etapa de vacinação deve ser concluída – no caso das unidades de gestão estadual – em duas semanas e que a nova etapa inicia a partir dos 20 dias da aplicação da primeira vacina.
Mais de 40 mil pessoas em Alagoas devem ser imunizadas na primeira fase da doença: trabalhadores da saúde, idosos institucionalizados a partir de 60 anos, idosos a partir de 75 anos e indígenas aldeados. Nestas três primeiras grandes fases, 723 mil devem ser imunizados em Alagoas.
VACINAÇÃO É ESSENCIAL
Na avaliação do professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Sérgio Lira, que integra o Grupo de Modelagem Científica e Simulação do Surto de Covid-19 em Alagoas, é importante que a população saiba que a vacina chegou e que a vacinação é essencial para a proteção de todos, não apenas individual. “No entanto, demoraremos vários meses até vacinar uma parcela significativa da população. Portanto, não podemos relaxar quanto ao uso de máscaras, distanciamento social, higiene, testagem e isolamento de doentes”, explica Lira. Sobre quais perguntas ainda precisam ser respondidas sobre a vacina, o professor Sérgio Lira explica que há dois pontos importantes a serem esclarecidos em breve com o acompanhamento da vacinação como determinar qual a duração da imunidade induzida pelas vacinas. “Sabemos que indivíduos imunizados estarão protegidos quanto ao adoecimento, mas não sabemos se os vacinados podem continuar transmitindo o vírus de maneira assintomática. A segunda questão faz com que a recomendação do uso de máscaras seja mantida mesmo para as pessoas vacinadas”, detalha. A reportagem questiona ao pesquisador quando acredita que atingiremos a imunidade coletiva. “A OMS defende que a imunidade coletiva deva ser atingida somente através da vacinação e não deixando que a doença se espalhe em seguimentos da população. Segundo a OMS e o CDC americano (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), especialistas ainda não determinaram qual deve ser a porcentagem de pessoas vacinadas para atingir uma imunidade coletiva para a Covid-19. Isso depende uma combinação de fatores como a transmissibilidade da doença, comportamento da população, eficácia da vacina e duração da imunidade induzida. Tudo indica que essa fração deve ser maior que 60% da população”, completa Sérgio Lira.
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