Cidades
TRATAMENTO PRECOCE É INEFICAZ E PERIGOSO, AFIRMA MÉDICO
Em meio à pandemia da Covid-19, com diversas pesquisas acerca de formas de controlar o contágio do vírus, o aplicativo do Ministério da Saúde, ‘TrateCOV’ recomenda tratamentos que não funcionam para Covid. A pasta lançou o ‘TrateCOV’, que recomenda que médicos e enfermeiros deem ‘tratamento precoce’ contra a doença, usando como indicação medicamentos como ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina. O aplicativo foi retirado do ar, mas não antes de especialistas demonstrarem sua preocupação.
Apesar do aplicativo ter sido tirado do ar, o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Marcos Holanda, salientou que sua ativação, mesmo por pouco tempo, é perigosa.
“O assunto sobre esse aplicativo já foi debatido entre a gente do sindicato também, porque sempre existem pessoas que acreditam na efetividade dos medicamentos propostos, mas, para mim, enquanto médico e presidente, é um aplicativo perigoso e que não deveria ter sido criado”, disse o presidente.
“Se medicamentos como ivermectina, cloroquina, ou até mesmo azitromicina, fossem efetivos, não teríamos chegado ao número de mortes que chegamos hoje, nem tão pouco os casos no Amazonas seriam tão graves, uma vez que o aplicativo começou a funcionar inicialmente lá. Ou seja, é apenas questão de lógica e de estudos”, pontuou o médico.
O médico explicou ainda que não existe estudo ou fundamento que comprovem que o uso desses medicamentos possa ser efetivo na fase aguda da Covid-19. Ele explicou que o caso da ivermectina, que foi uma promessa lá atrás, por sua efetividade em vírus no estágio in vitro, ou seja, no período de estudo, foi o mais próximo da eficiência, mas que também foi descartada por ser mostrar inútil no tratamento da doença. “As pessoas querem acreditar em qualquer coisa, e isso precisa ser combatido.”
RISCOS ENVOLVIDOS
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"
Holanda também frisou sobre os riscos envolvidos em tomar medicamentos que não são necessários, baseando-se no modelo do aplicativo, que recomendava ivermectina, azitromicina e hidroxicloroquina, independente da gravidade dos casos. “Existem vários problemas em tomar medicamentos que você não precisa. Por exemplo, caso você seja cardiopata, ou tenha arritmia, e tome a hidroxicloroquina, você pode vir apresentar algum problema. Já a ivermectina, em grandes quantidades pode gerar lesões no fígado, chegando a ser hepatite tóxica. No caso da azitromicina, eu fico até sem entender, a Covid-19 é gerada por um vírus, e esse medicamento é para bactérias, ou seja, não funciona”, destacou o médico. O presidente do Sinmed pontuou também a preocupação em torno do uso de medicamentos que podem relaxar a população para os cuidados diários.
“Os riscos, de forma geral, são diversos e, apesar de alguns serem pontuais para pessoas que tenham algum problema, não podemos desconsiderar o perigo do uso indiscriminado de qualquer tipo de medicamento. É imprescindível que se tenha mais cuidado no que vai recomendar para o paciente, porque algo dito como ‘tratamento precoce’ pode fazer a pessoa achar que está imune e pode sair normalmente na rua sem tomar os devidos cuidados”, finalizou.