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INSTITUIÇÕES RELIGIOSAS DIVERGEM EM CUIDADOS COM A PANDEMIA

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Igreja Batista da Alegria
Igreja Batista da Alegria

O repique da pandemia de covid-19 trouxe preocupação aos líderes religiosos alagoanos, levando os templos a ampliarem seus cuidados nas missas e cultos presenciais. Em junho do ano passado, por meio de um decreto governamental as igrejas puderam iniciar de forma gradativa a retomada de suas atividades, a princípio com 30% de sua capacidade.

“Eu tenho a impressão que alguns lugares houve um certo cuidado, mas em outros não. Fizeram muita baderna e aglomeração, por exemplo, se você observar as procissões desse final de semana, algumas paróquias agiram com cautela, outras não fizeram isso. Isso tem que ser reprovado. Em Pilar, você percebia que havia um grande número de pessoas aglomeradas, parecia com as procissões que antecediam o período de covid”, comentou o Arcebispo Metropolitano de Maceió, Dom Antônio Muniz.

O teólogo Paulo Nascimento explica por que cada igreja mantém um posicionamento diferente em relação aos cuidados com o vírus. “Você tem algumas igrejas no cristianismo que possuem uma estrutura mais unificada, a exemplo da Igreja Católica, quando um bispado ou uma diocese determina uma postura, todas as paróquias precisam adotar. Já a Igreja Batista, por exemplo, age de maneira independente em cada comunidade”, pontua. “Há uma diversidade no campo religioso, cada igreja tem sua própria postura. Isso influencia nas respostas que as diferentes instituições deram e tem dado aos dilemas da pandemia. Igrejas fundamentalistas possuem um discurso negacionista, nesses espaços não se observa cautela, algumas dessas igrejas nem queriam parar suas atividades. Já as religiões de matrizes africanas, em muitas dessas comunidades observou-se uma cautela muito grande”, finalizou o teólogo. No que se refere a sobrevivência dos templos no período, o pastor Valdenicio Santos diz que as igrejas que mais sofreram foram as localizadas em periferias. “Não pelo dízimo, mas pela vida das pessoas que moram nas comunidades, na história que o local possui. Nossa igreja passou 7 meses com o prédio fechado, mas estávamos realizando os cultos por meio de lives, estamos sobrevivendo por meio de ofertas e doações. De março de 2020 à janeiro deste ano, a congregação se mobilizou para ajudar a comunidade, até porque o nível de pobreza aumentou. Foram aproximadamente 700 cestas básicas doadas”, revelou. O pastor completa informando que esse papel também cabe a instituição. “Isso faz com que a gente compreenda que ser igreja não está só dentro do templo, ser igreja é ajudar a comunidade em suas mais diversas necessidades, a fome e a pobreza fazem parte delas. O papel da igreja não é apenas se preocupar com dízimo e ofertas”, finaliza.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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