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Sururu volta a ter grande reprodu��o nas lagoas

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FÁBIA ASSUMPÇÃO As lagoas estão produzindo sururu em abundância, para alegria de quem sobrevive desta atividade. A Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas estima que estão sendo pescadas cerca de 10 toneladas do molusco, por dia, em todas as lagoas do Estado. Boa parte dessa produção está sendo exportada para outros estados, mas uma grande quantidade é comercializada no Mercado da Produção ou vai para restaurantes que servem frutos do mar. No mercado, o quilo do produto varia de R$ 2,00 a R$ 2,50. ?O sururu é típico de vários lugares, mas nenhum é tão gostoso como o de Alagoas?, diz o pescador Germano José dos Santos, da Colônia de Pesca Z-17 de Santa Luzia do Norte. Só no município, os pescadores estão retirando cerca de 1.500 quilos de sururu por dia. Segundo o presidente da Federação dos Pescadores do Estado de Alagoas, Benedito Roque da Silva (Bida), o sururu é um dos poucos tipos de pescado que ainda sobrevivem nas lagoas, que vêm sofrendo com a degradação ambiental ao longo dos anos. Quanto mais o sururu é pescado, mais se reproduz. Bida explica que o molusco é encontrado o ano inteiro na lagoa e só sofre uma queda na produção nos períodos de chuvas. A abundância do molusco contrasta com a escassez de outros pescados. O pescador João Augusto César Filho, que desde criança pesca na Lagoa Mundaú, diz que há 10 anos existiam entre 30 a 40 espécies de peixe. ?Hoje só são encontradas quatro espécies de peixe, mesmo assim em quantidade muito pequena: o curimã, tainha, carapeba e camurim. Ele lembra que há alguns anos, saía para pescar e voltava com até 300 quilos de camurim. ?Com duas redes a gente chegava a pegar de 15 a 20 quilos de peixe?. Este ano, no Natal, o pescador colocou 14 redes na lagoa, porém, em 15 dias, não conseguiu pescar nada. ?Há dois meses apareceu um pouco de camarão, que logo depois desapareceu?. Em todo o Estado, estima-se que mais de 17 mil pessoas sobrevivam da pesca em lagos, rios e açudes. O presidente da Federação dos Pescadores aponta o assoreamento, a pesca predatória e a poluição como os principais fatores que contribuíram para a degradação da lagoa. O assoreamento foi provocado, principalmente, pelo desastroso processo de dragagem do Canal Grande da Lagoa Mundaú, realizado nos anos 80. O processo de urbanização das áreas em torno da lagoa trouxe o lixo e os esgotos. ?O Conjunto Joaquim Leão foi construído no coração da lagoa?, lembra o presidente da federação.

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