Cidades
INFECTOLOGISTAS DEFENDEM MEDIDAS RÍGIDAS CONTRA NOVA CEPA DO VÍRUS
Especialistas alertam para maior velocidade de transmissão e dizem que lockdown pode ser necessário
A confirmação, na última quinta-feira (18) de dois casos de pacientes alagoanos infectados com a variante brasileira do coronavírus acendeu o alerta para o agravamento da situação da pandemia em Alagoas. Infectologistas ouvidas pela Gazeta recomendam o endurecimento das medidas sanitárias, inclusive com lockdown, que é o fechamento total de uma região. As médicas contam que a nova cepa do vírus pode acelerar o contágio no Estado.
De acordo com a médica Raquel Guimarães, “se algum município declarar lockdown e monitorar seus residentes por 15 dias, com certeza dará certo”. Ela diz que só é possível controlar o alastramento dessa variante com o monitoramento de cada pessoa portadora. A infectologista cita que é preciso acompanhar o antes, durante e depois do infectado. Ainda assim, ela questiona: “E aqueles que tiveram contatos com o portador da variantes e estão assintomáticos?”.
A médica lembra que o lockdown foi uma opção em Londres e poderá ser uma estratégia a ser utilizada. “Porém, no Brasil e em Alagoas, as pessoas estão diariamente enfrentando o vírus de cara limpa, em condições de alta concentração, sem higiene necessária, como se a pandemia estivesse acabado. Diferentemente de outros países, aqui a população não respeita regras”, critica.
A infectologista Tereza Tenório alerta que a nova variante é bem mais transmissível. “A cepa inicial tinha a capacidade de contaminar em torno de 2 a 3 contactantes após a exposição a uma pessoa contaminada sem as devidas medidas de prevenção. Como já foi identificada essa maior transmissibilidade, certamente mais pessoas expostas, sem as medidas de prevenção poderão se contaminar e desenvolver a Covid -19”.
Ela defende que as medidas de prevenção devem ser aumentadas, inclusive o lockdown, a medida em que as demais medidas necessárias não sejam atendidas o suficiente para evitar o caos na rede de saúde.
A médica pontua que essa é uma grande preocupação, tendo em vista que, com o aumento da população exposta, surgirão pessoas com mais fatores de riscos para o agravamento da doença, tais como idosos, obesos e pacientes com doenças crônicas. “Para evitar o contágio é preciso que as medidas de prevenção - uso correto de máscara, distanciamento social e higienização das mãos, principalmente- sejam enfatizadas com rigor”, frisa.
Tereza Tenório analisa que a desobediência dessas medidas pela população local tem provocado um relaxamento também na população flutuante, que são os turistas. “Sabe-se que este comportamento inadequado- desrespeito às medidas sanitárias estabelecidas- através de atos de aglomerações como vem acontecendo em vários pontos da capital e do interior do Estado podem agravar e muito a situação da pandemia, a exemplo do que já está ocorrendo em várias outros estados do nosso país”, lembra.
VACINAÇÃO
Operação Ruptura: PC investiga organização criminosa em Coruripe
Instituto Federal de Alagoas abre curso de mídias sociais
Homem é baleado na cabeça após discussão em Arapiraca
Ex-policial militar é preso por golpes em Maceió
Davi Davino confirma convite para ser vice, mas rejeita: "Sou candidato ao Senado"
Segundo a infectologista, é possível controlar a disseminação, desde que o governo continue investindo na vacinação, supervisionando a aplicação das medidas de prevenção e que a população perceba que precisa fazer a sua parte, cumprindo as exigências sanitárias necessárias para o enfrentamento conjunto da pandemia. “Esta é uma questão de respeito e cidadania”, finaliza. A também infectologista Luciana Pacheco, explica que os cuidados preventivos são os mesmos, pois a forma de transmissão é semelhante ao vírus selvagem detectado na China. “Há uma informação recente do CDC [Centro de Controle e Prevenção de Doenças] dos Estados Unidos que o uso de duas máscaras se, uma cirúrgica e uma de tecido dão uma proteção de cerca de 94%, que é semelhante à máscara usada em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a produção de aerossóis é grande”, revela. Ela conta que ainda não existe comprovação sobre ser mais letal, mas parece ser mais transmissível.
GOVERNO
Mesmo assim, o governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), disse durante entrevista coletiva na sexta-feira (19), que o governo não vai endurecer as medidas de isolamento social. A nova variante foi identificada em duas alagoanas das cidades de Viçosa e de Anadia. A paciente de Viçosa tem 36 anos e viajou para Manaus (AM) no mês de janeiro, onde permaneceu na capital do Amazonas por quatro dias. Ao retornar da viagem, a paciente apresentou os sintomas do novo coronavírus. O segundo caso é de uma idosa de 64 anos, que não viajou para o Amazonas e não teve contato com nenhuma pessoa do território amazonense ou de qualquer outro Estado brasileiro. Isso mostra que a nova variante P1 do novo coronavírus está em circulação em Alagoas. O próprio secretário de Estado da Saúde de Alagoas, Alexandre Ayres, a variante do Amazonas chama a atenção por ter uma maior transmissibilidade. “Com uma transmissão maior, isso significa que o vírus deve infectar mais pessoas, caso a população não mantenha as medidas de proteção”.