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Cidades

PACIENTES ALAGOANOS ENFRENTAM SEQUELAS DEIXADAS PELA COVID

Entre os problemas relatados por quem já teve a doença estão lapsos de memória, dores musculares e cansaço físico

Por greyce bernardino | Edição do dia 20/02/2021 - Matéria atualizada em 19/02/2021 às 22h10

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do estado de São Paulo mostrou que, cerca de 80% dos pacientes que tiveram a Covid-19, ficaram com sequelas cognitivas. Esse problema, no entanto, não foi detectado somente em pessoas que tiveram a forma grave da doença, mas, também, naquelas que apresentaram sintomas leves. Muitas ficaram com sequelas neurológicas. Como foi o caso da bombeira militar Valquiria Paulino, diagnosticada com a Covid-19 há sete meses. Os sintomas que ela sentiu foram leves. “Tive falta de olfato e paladar. Após somente 14 dias vieram a febre, dor de cabeça e a falta de ar, mas tudo muito leve”, contou. Ela só não imaginava, entretanto, que ficaria com sequelas. “Hoje tenho falhas na memória, dores musculares, cansaço físico, além de dores de cabeça e sono. Porém, a falha de memória vem me prejudicando muito. Vou, por exemplo, ao mercado, mas acabo esquecendo de trazer as compras ou, até mesmo, faço uma ligação e esqueço para quem seria”. “Cada vez mais estudos mostram que há uma variedade de manifestações neurológicas. Essa variedade, por sua vez, é mais frequente em pessoas que tiveram a doença de forma grave, em que o paciente apresenta insuficiência respiratória aguda e que fica muito tempo intubado. Mas, também, as manifestações estão sendo vistas em paciente que teve sintomas leves da doença”, explicou a neurologista Clécida Mara Normando. “Pacientes estão cada vez mais se queixando de perda de memória, desatenção e problemas emocionais. O impacto da doença no sistema nervoso, no entanto, ainda vai ser estudando, visto que o problema pode durar muito tempo”. A estudante Pâmela de Oliveira também ficou com sequelas após testar positivo para a Covid-19. Ela, após dois meses da cura, se queixa da falta de paladar e olfato. “Descobri que estava com a Covid-19 nos primeiros dias de dezembro. Logo após chegar de uma viagem, senti os primeiros sintomas e no segundo dia de sintomas procurei um laboratório para fazer o teste de PCR que teve resultado positivo”. “O pior sintoma, sem dúvidas, foi o de cansaço extremo, porque é o que mais limita. Nos dias mais intensos da Covid-19 eu não conseguia falar duas frases sem ter que parar para retomar o fôlego. Uma das situações mais delicadas foi quando tentei lavar o cabelo e tive que interromper o processo por não conseguir retomar o fôlego”, relembrou a jovem. Pâmela disse, ainda, que ficou cerca de 16 dias sentindo os sintomas da doença. “Não precisei de internação, graças a Deus. Fiz o tratamento em casa com o auxílio de uma enfermeira”, frisou ela, acrescentando: “Segui o protocolo que foi passado pelo médico e tomei azitromicina, ivermectina, antitérmico, analgésico, polivitamínico e um corticoide intravenoso”. A jovem reforçou que após um mês do resultado positivo, ainda tem dificuldades de fazer atividades físicas simples, devido ao cansaço e hoje, depois de dois meses, a falta de paladar e olfato permanece.

TRATAMENTO

A Prefeitura disponibiliza, desde o último 13 de agosto, o Centro de Especialidades Eliane Machado, localizado próximo ao PAM Salgadinho. O espaço - que já está em funcionamento - atende pacientes que tiveram complicações após contraírem o novo coronavírus, bem como outras síndromes gripais. Maceió é uma das primeiras cidades a disponibilizar um local específico para tratar pessoas que tiveram o organismo afetado após infecção causada pelo novo coronavírus. No Centro de Especialidades, a população pode contar com uma equipe formada por pneumologistas, cardiologistas, neurologistas, otorrinolaringologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, entre outros. Entre os exames ofertados pela unidade, estão o de tomografia, ecocardiograma, eletro, raio-x, entre outros. Para acesso aos serviços do Centro de Especialidade, que funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h, os pacientes precisam ter o encaminhamento das unidades de saúde do Município e dos hospitais. Haverá ainda marcação pelo Complexo Regulador de Maceió (Cora) e uma reserva técnica para os pacientes encaminhados direto das Unidades de Referência em Síndrome Gripal.

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