Litoral
IMA DIZ QUE DECK EM RESTAURANTE É LEGAL
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O coordenador de gerenciamento costeiro do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Ricardo César, informou nesta quinta-feira (25), que o deck construído pelo restaurante Hibiscus Beach Club, em Ipioca, Litoral Norte de Maceió, não tem irregularidades. Ele explicou que o estabelecimento fez a obra de contenção depois que o mar invadiu em mais de 75 metros o terreno onde está localizado o restaurante.
“O equipamento do Hibiscus não está impedindo a circulação, e a área de praia está sendo recuperada com vegetação. Isso já foi aprovado pela ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], pelo Ministério Público Federal (MPF) e por nós. Está tudo dentro da legalidade", afirmou.
Nos últimos dias vem circulando nas redes sociais, um vídeo que expõe o deck construído do Hibiscus Beach Club, devido ao avanço do mar na propriedade. No registro, o denunciante alega que a obra estaria dificultando a circulação de banhistas e pescadores. Apesar das críticas, tanto a empresa quantos os órgãos competentes alegam que a obra está dentro da legalidade.
"Olhem a estrutura que o Hibiscus construiu, praticamente tomando conta da praia. Quando a maré enche, o local fica intransitável. Isso os órgãos competentes não veem", queixa-se o denunciante - que não teve o nome revelado - no registro. “O que se mostrou ser uma inverdade, considerando que o deck possui autorização do MPF, ICMBio e IMA”, ressalta Ricardo César.
Ele explica ainda que com o avanço o mar em Ipioca, os empreendimentos que ficam na costa sofreram com a erosão e o avanço das águas.
De acordo com o empresário Ronaldo Scurachio, as coordenadas provam que a área em que o deck foi construído é de propriedade do Hibiscus. "A área pertence ao sítio onde o empreendimento está localizado. O local é georreferenciado desde 2011", afirma.
De acordo com laudo técnico enviado à Gazeta, ambiente onde se encontra o estabelecimento está sujeito a um processo erosivo. No caso do Hibiscus, aponta o IMA, se buscou uma solução para a redução deste processo. A parte de madeiramento visível é uma estrutura construída de forma artesanal, sem alvenaria e é um dos componentes de um projeto de redução do impacto da ação mecânica das ondas. A parte que não se vê é um equipamento oculto de dispersão de energia mecânica de ondas, conhecido por Sandbag. O sandbag é uma técnica que permite o acúmulo de sedimentos de forma lenta e contínua. O laudo também desmente a afirmação de que não existe faixa de praia na maré alta. "Nas áreas adjacentes, por ocasião das marés mais altas, se torna inviável transitar, pois as ondas atingem diretamente os taludes no entorno. Mas devido a ação do dispersor oculto, já ocorre acúmulo de sedimentos na área defronte ao deck e nas marés mais altas. É o único ponto que permanece com areia, enquanto todo o entorno não permite trânsito", pontua. Para o biólogo Juliano Fritcher, a solução do empreendimento para lidar com o avanço do mar foi inteligente e que não causa impactos negativos para o meio ambiente. "O sistema de contensão adotado por eles é novo no Brasil, foi utilizado por pouquíssima empresas. O acúmulo de areia ao longo dos anos (sandbag) é um ponto positivo", explicou.
* Sob supervisão da editoria de Cidades.