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Pandemia

MORTES POR COVID-19 EM ALAGOAS TEM ALTA DE 104% NO 1º BIMESTRE

Estado está entre as oito unidades da federação com o maior percentual no aumento de óbitos

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Os diagnósticos positivos para Covid-19 subiram 90% em Alagoas no primeiro bimestre
Os diagnósticos positivos para Covid-19 subiram 90% em Alagoas no primeiro bimestre -

O resultado das aglomerações das festas de fim de ano e do carnaval começaram a ser sentidas no estado com a elevação do número de mortes em território alagoano. Segundo levantamento do jornal O Globo, a pandemia da Covid-19 acelerou no primeiro bimestre de 2021, subindo em 104% as mortes pelo novo coronavírus e em 90% o número de casos confirmados em Alagoas. A alta foi sentida em todos os estados do Brasil. Na comparação do total de óbitos ocorridos entre novembro e dezembro de 2020 com todos os óbitos registrados entre janeiro e fevereiro deste ano, houve um aumento de 71% no Brasil. Alagoas está entre os oito estados com maior percentual no aumento de óbitos nos dois primeiros meses do ano. Nos meses de novembro e dezembro, o estado registrou 251 mortes pela Covid. Já em janeiro e fevereiro deste ano, foram 509 óbitos. Conforme o levantamento, Alagoas teve uma alta de óbitos de 104%, ficando atrás do Amazonas (662%), Roraima (229%), Pará (225%), Rondônia (187%), Minas Gerais (129%), Tocantins (112%) e à frente do Ceará (102%). E não é somente o crescimento de óbitos que assusta, o número de casos confirmados está subindo abruptamente. Os diagnósticos positivos da doença subiram 90% em Alagoas. Em outros estados, os números mais que dobraram, como é o caso do Amazonas (193%) e de Rondônia (122%). Assim como Alagoas, outros que apresentaram aumento significativo foram: no Mato Grosso (91%) e Minas Gerais (81%).

COLAPSO

O colapso na rede hospitalar da rede pública e privada de Alagoas deve ocorrer a médio prazo, segundo afirmou a presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia, a infectologista Vânia Pires. Os mais de 11 mil casos que estão aguardando análise laboratorial servem de alerta para a sociedade e para que as autoridades públicas endureçam as medidas para conter o avanço da doença. “Uma vez que já estão confirmados pelo menos dois pacientes com variantes, esse número pode ser maior, uma vez que não temos a prática de fazer exame de sequenciamento genético em muitos casos. Só fazemos em pacientes reinfectados ou que vieram de Manaus. Mas a gente sabe que já existem casos de pessoas que não viajaram. É sinal que existe essa variante circulando entre nós. Já se sabe que essa variante tem mais transmissibilidade, provoca uma doença mais grave em pessoas mais novas e causa um adoecimento mais rápido, a evolução é mais rápida. É preocupante porque as pessoas podem se contaminar de novo e, como a transmissão é mais acentuada, a gente vai ter um maior número de casos”, afirma Vânia. Nas últimas semanas, o governo de Alagoas aumentou o número de leitos intermediários e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais da rede pública, mas isso não tem sido suficiente. Em Maceió, o Hospital do Coração está com 100% dos leitos ocupados. “O governo pode dobrar o número de leitos, mas temos muito mais casos. Tem hospital que não tem mais vaga. A progressão da transmissão está muito acelerada e a quantidade de leitos não acompanha. Não existe outro responsável que não seja a população. O país está em colapso, não é só o estado de Alagoas ou de Manaus que está assim. Então, a população precisa se conscientizar”, ressalta. Mesmo com a taxa de infecção mais rápida, a especialista acredita que ainda não seja a hora de adotar o lockdown nos municípios alagoanos. Contudo, para ela, deve haver o endurecimento das medidas para tentar frear o crescimento dos casos e óbitos, em decisões que devem partir de estudos epidemiológicos. “Tem que ser mais rígido, redução de horário de trabalho, mas o lockdown ainda não é o momento, mas se a coisa continuar, isso vai ter que acontecer. Isso depende de estudos epidemiológicos, mas é preciso que as autoridades ouçam as entidades responsáveis por essas condutas. Precisa ser um trabalho em conjunto, onde o governo escute a ciência e a ciência tem que discutir com o governo, é uma via de mão dupla”, finaliza.

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