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OAB contesta relat�rio sobre assassinatos de jovens

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FÁBIA ASSUMPÇÃO A polêmica criada pela reportagem publicada esta semana na Revista IstoÉ, sobre a existência de grupos de extermínio de crianças, adolescentes e jovens em Alagoas, acabou tendo uma repercussão maior do que a esperada. E resultou, na manhã de ontem, numa reunião convocada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas(OAB/AL), Marcos Mello, na Casa do Advogado, com representantes de diversas entidades governamentais e não-governamentais. Eles decidiram lançar uma nota de repúdio contra o conteúdo da reportagem, caracterizado pela maioria dos participantes do encontro como ?sensacionalista?. Até a prefeita Kátia Born abriu mão de outros compromissos para estar presente à reunião. Com seis páginas, a reportagem teve como principal fundamento denunciar a suposta existência de grupos de extermínio em Alagoas, com base em um relatório produzido pelo ex-presidente da Comissão de Direitos da Criança da OAB/AL, o advogado Gilberto Irineu. ? atual presidente da ONG Frente Estadual de Defesa da Criança. De acordo com o levantamento feito pela Comissão, em parceria com o Fórum de Conselhos Tutelares, 329 jovens de famílias carentes, com até 25 anos, foram assassinados em Alagoas entre janeiro e novembro de 2003. O primeiro a contestar os dados do levantamento foi o presidente da Ordem, Marcos Mello. Ele foi categórico ao afirmar que não existe nenhuma pesquisa oficial da entidade sobre assassinatos de crianças, jovens e adolescentes em Alagoas. ?Se essa pesquisa foi feita, ela foi baseada no ?achismo?, classificou. Mello garante que a contestação dos dados apresentados no relatório não é revanchismo, pelo fato de o advogado Gilberto Irineu ter feito parte da chapa de oposição a ele nas eleições para a Ordem, em novembro do ano passado. Durante o calor das eleições para nova diretoria da OAB, Gilberto Irineu se envolveu em um incidente com o atual vice-presidente da OAB, Everaldo Patriota. Ele teria sido esmurrado por Patriota e chegou a dar queixa em uma delegacia. Contestação Patriota, que é membro dos Conselhos Estaduais de Direitos Humanos e Justiça e Segurança, lembrou que o relatório feito por Gilberto Irineu foi contestado durante apresentação, em abril do ano passado. Os motivos do descrédito no levantamento, segundo Patriota, são de que nele teriam sido incluídas pessoas com até 30 anos, mortas de forma natural ou por brigas entre gangues rivais, e não necessariamente por ação de organismos policiais. ?A Ordem não está em defesa de nenhum organismo governamental?, ponderou Patriota. ?Mas não há comprovação da existência de grupos de extermínio de menores que fazem parte de lideranças do sistema de segurança ou política do Estado?, enfatizou. Devido à polêmica, Patriota apresentou a proposta de convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Estadual de Segurança e Justiça para que os representantes dos órgãos de segurança possam apresentar como está o andamento dos inquéritos sobre esses assassinatos no Estado.

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