Pandemia
ESPECIALISTAS ALERTAM PARA O RISCO DE FALTAR ATENDIMENTO NO ESTADO
Infectologista diz que situação é grave e pode piorar em Alagoas já que é alta a ocupação dos leitos destinados a pacientes com Covid
Há um ano a Covid interrompe precocemente histórias de vida, adoece pessoas sãs e impede abraços. Uma tragédia contada todos os dias a cada atualização do número de infectados e mortos no Brasil, que vive o maior colapso sanitário e hospitalar da história. Para médicos e pesquisadores, é grande a possibilidade de faltar atendimento aos pacientes em Alagoas, já que o sistema de saúde caminha para a saturação.
Na avaliação do professor Gabriel Bádue, do Observatório Alagoano de Políticas Públicas para o Enfrentamento da Covid-19, vinculado à Faculdade de Nutrição da Ufal, os diferentes indicadores utilizados na análise do cenário epidemiológico apontam para um descontrole na transmissão do novo coronavírus no estado, que tem causado o aumento do número de casos, óbitos e ocupação hospitalar.
Para a infectologista Vânia Pires, a situação é grave e pode piorar em Alagoas já que é alta a ocupação dos leitos destinados a pacientes com Covid. “É evidente que em muitos estados a situação consegue ser pior. Podemos piorar? Sim. Em 13.3.2021, dados do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) mostravam que Alagoas tem cerca de 15 mil casos para confirmação, mais de 3 mil óbitos e 4.079 casos novos por semana. A curva começou a crescer desde dezembro de 2020, aumentando com mais rapidez desde janeiro. A taxa de ocupação de leitos de UTI se aproxima do colapso”, declara. “A situação atual da Covid em Alagoas está ficando preocupante, a gente está vendo no dia a dia o número de casos e morte aumentarem e a taxa de ocupação dos hospitais também está aumentando. As autoridades precisam olhar com muito cuidado e com muito zelo para que se possa tomar medidas efetivas em tempo hábil e o mais rápido possível para que a gente tente controlar essa circulação do vírus e não chegue a ter o colapso do sistema da saúde, que é algo que é ruim para todo mundo. O colapso é quando pessoas vão morrer porque não conseguem sequer serem atendidas porque o sistema está completamente saturado. A gente precisa ficar com o olho muito em cima, monitorar dia a dia esses casos, tomar medidas para não chegar nesse estágio como infelizmente outros estados do país já chegaram”, reforça o infectologista Fernando Maia. Na opinião do infectologista Reneé Oliveira, assim como Fernando Maia, ele acredita que há risco do sistema hospitalar de Alagoas enfrentar um colapso como está ocorrendo em outros estados brasileiros. “Se nada for feito algo logo é bem possível que Alagoas enfrente um colapso, porque a ocupação de leitos está crescendo rapidamente”, afirma o médico.
AS VARIANTES
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A reportagem pergunta ao professor Gabriel Bádue como vê o avanço das variantes em Alagoas, Bádue diz que considerando o escopo do trabalho desenvolvido pela equipe de pesquisadores ainda não é possível avaliar o impacto. “No entanto, a partir das evidências disponíveis acreditamos que a presença dessa nova variante tenha contribuído para o aumento na incidência de casos que vem sendo observada nos últimos meses, já que além dos dois casos em que a nova cepa foi identificada no mês de janeiro, conforme comunicação oficial do governo do estado, novas detecções foram apontadas em uma pesquisa amostral realizada pela Fiocruz, que apontou uma prevalência da nova cepa (P.1) em 42,6% das amostras oriundas de Alagoas”, explica. De acordo com Gabriel Bádue, segundo estimativas divulgadas por pesquisadores da USP e Oxford, a nova variante manauara (P.1) é entre 1,4 e 2,2 mais transmissível que as variantes que a antecederam. “Na mesma direção, uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Fiocruz sugere que a carga viral de infectados pela nova cepa seja até 10 vezes superior ao de infectados por outras variantes, o que também pode explicar sua maior transmissibilidade”, disse o professor.
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