Sexo
PANDEMIA DE CORONAVÍRUS MUDA HÁBITOS SEXUAIS DOS ALAGOANOS
Solteiros e casados falam da tensão e mudança de rotina provocada pela Covid-19 no Estado
A pandemia de Covid-19 afetou também a vida sexual dos alagoanos, mas por motivos diferentes. Os solteiros - pelo menos os mais conscientes - já evitavam sair de suas casas para praticar o famoso sexo casual, e os casais precisaram dar uma diminuída na frequência dos encontros a fim de evitar o contágio pela doença. Aparentemente, os únicos que se deram bem durante o período foram os casais que moravam juntos, não é? A reportagem da Gazeta conversou com alguns casais e concluiu que não foi bem assim.
Clara e Natalia estão juntas há um ano e meio e contam como a pandemia impactou suas relações sexuais. “No início minha libido estava a mil, mas como eu enfrento depressão e ansiedade, ela acabou diminuindo. Tanto pela situação externa [pandemia], quanto pelo que acontece comigo”, relatou Clara. Sua namorada Natalia declara que algo semelhante ocorre também com ela. “Tem sido bem aleatório, mas sinto que minha libido vem diminuindo constantemente”.
O casal Lucas Azan e Renato Figueiredo moram juntos e relatam que no início do isolamento não estavam transando com frequência por conta da rotina que levavam. “Mesmo morando juntos, tinham dias que eu ficava até tarde estudando e acabava ficando muito cansado, tanto física quanto mentalmente, e aí não rolava nada”, declarou Lucas. O rapaz declara ainda que a pandemia mudou um hábito que o casal tinha em suas relações. “Às vezes fazíamos sexo à três, mas optamos por parar por uma questão de segurança”.
Segundo a terapeuta sexual Laylla Brandão, o sexo é uma consequência do estilo de vida da relação. “Ele se torna um termômetro e é sempre bom observar como o casal ou como a relação vem priorizando essa fatia do relacionamento. Mas é importante salientar que sexo não é tudo”, explica.
Já Mayana Moreira e Adenilton Bispo aproveitaram o tempo explorando a sexualidade um do outro na tentativa de descobrir coisas novas. Para isso, o casal decidiu realizar compras em um sex shop. “Foi uma experiência diferente porque nunca tinha pedido nada em sex shop, mas me surpreendi, foi diferente do que imaginei. Comprei um anel peniano e algumas hot ball, que são balinhas para o sexo oral”, narra a jovem.
Inclusive, a demanda por produtos eróticos dispararam na quarentena. De acordo com um levantamento feito pelo portal MercadoErotico.Org, de março a maio de 2020, o número de vibradores vendidos no país registrou crescimento de 50%, e a expectativa é que o número volte a crescer diante da continuidade do isolamento.
Uma das proprietárias da sex shop Apimentada, Francielle Alves conta que as fantasias sexuais foram os produtos mais procurados nesse período de pandemia. “As pessoas estavam sem poder sair muito, sem poder se produzir, então foi um momento em que as pessoas se entregaram às suas fantasias, como forma de diversificar”. A empresária diz que o público da loja é muito diverso, indo de mulheres que querem dar uma apimentada na relação à idosos de 70 anos que vivem ativamente sua sexualidade. E engana-se quem pensa que solteiro não tem vida sexual. De acordo com Francielle, pessoas solteiras também consomem esses produtos. “Muitas vezes as pessoas acham que para viver sua sexualidade precisam estar com alguém. Não é verdade. Precisamos nos conhecer primeiro para depois compartilhar com o outro”, aconselha ela. A empresária é também psicóloga e educadora em sexualidade, e administra a página no Instagram @iacimulher, focada na sexualidade feminina.
* Sob supervisão da editoria de Cidades.
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