Pandemia
FIOCRUZ SUGERE RESTRIÇÕES DE 14 DIAS PARA CONTER AVANÇO DA COVID
Infectologista diz que é preciso restringir ainda mais as atividades não essenciais em Alagoas
Com base em números que apontam o avanço descontrolado da pandemia no Brasil, cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sugerem que os estados que enfrentam superlotação nas unidades hospitalares restrinjam todas as atividades não essenciais por 14 dias. Em Alagoas, o percentual de ocupação dos leitos de UTI destinados a pacientes com Covid segue em alta, ultrapassando 80%.
Na avaliação da médica Vânia Simões, presidente da Sociedade Alagoana de Infectologia, é preciso restringir ainda mais as atividades não essenciais em Alagoas para conter a transmissão da Covid.
“Se a gente tem patamares que se aproximam de 85% de ocupação da UTI ou é maior é inconcebível continuar com essas restrições que a gente tem. É necessário que se restrinja ao máximo as atividades não essenciais para evitar o colapso. Não é uma coisa simples. Mas não adianta só parar os serviços sem aumentar o número de vacinas aplicadas e sem ter como oferecer a subsistência para quem precisa”, explica a infectologista.
A medida para conter a Covid nos estados – orientada e divulgada na terça-feira (23) pela Fiocruz – deveria ser implementada em estados que têm hospitais tratando pacientes infectados e vivem “alerta crítico”, situação não encontrada apenas no Amazonas e Roraima.
“Nós vivemos num país continental, com características diferentes em cada região e consequentemente com situações epidemiológicas diferentes em relação à Covid. A gente entende que o crescimento é percebível tanto na ocupação de leitos como de mortes. Claro que a situação em algumas regiões está mais crítica, mas não significa que não chegaremos a essa situação. Tomar uma decisão dessa, com esse impacto socioeconômico, é necessário que se tenha parâmetros, que são diferentes em cada região. Essa dinâmica tem que ser analisada”, explica a infectologista sobre a restrição de todas as atividades não essenciais, como sugeriu a Fiocruz.
O Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz sugere, além da restrição das atividades para reduzir a transmissão do coronavírus nos estados, o uso de máscara pela maioria da população, medida que foi discutida e aprovada pela Assembleia Legislativa (ALE) na quarta-feira (24).
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) afirma que continua monitorando a ocupação de leitos em Alagoas e atuando fortemente para ampliar a quantidade de leitos nas unidades hospitalares da rede estadual e dos leitos contratualizados. “A Sesau reforça, ainda, a necessidade de a população contribuir com o Estado, evitando aglomerações, fazendo uso de máscaras, distanciamento social e utilizando álcool 70% para higienização”.