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Pandemia

INFECTOLOGISTA ALERTA PARA OS PERIGOS DE VARIANTES EM CRIANÇAS

Nova cepa do coronavírus intensificou os sintomas nos pacientes contaminados e aumentou o perigo da reinfecção, alerta médica

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As variantes do novo coronavírus deixam crianças mais vulneráveis à infecção
As variantes do novo coronavírus deixam crianças mais vulneráveis à infecção -

Os primeiros meses de 2021 foram marcados pelo avanço da segunda onda da pandemia do novo coronavírus, e com ela o surpreendente aumento de casos de crianças infectadas pela doença — diversas vezes acometidas com estado grave e internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Em março, 15 recém-nascidos prematuros foram diagnosticados com Covid-19 no hospital maternidade Santa Mônica, na capital alagoana, e precisaram permanecer internados em isolamento. Pesquisadores acreditam que as variantes podem ser as responsáveis pelo agravamento dentro da ala infantil. A médica infectologista do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, Maria Raquel dos Anjos Silva, enfatizou que “as variantes já estão em todo o país, inclusive em alguns casos de Alagoas. E embora elas sejam inúmeras, como a variante B.1, originada no exterior, nós temos um subtipo que se originou no Brasil, a P.1, que é a chamada variante de Manaus”. Recentemente, a Fiocruz confirmou ainda as variantes do Reino Unido e do Rio de Janeiro em pacientes diagnosticados com a doença no estado. Acontece que a variante de Manaus, que se espalhou rapidamente pelo país, intensificou os sintomas nos pacientes contaminados e aumentou o perigo da reinfecção. “A variante P.1 diminui em seis vezes a chance desse anticorpo neutralizante ser formado, aumentando a chance de reinfecção. E ela é bem mais agressiva, aumenta a possibilidade do paciente ser internado em estado moderado ou grave e cresce também a chance de óbito”, explicou a médica. Maria Raquel contou que já foram iniciados estudos brasileiros que apontam para a variante P.1 como a principal responsável pelo aumento de crianças infectadas. “A gente tem um estudo preliminar, realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda não publicado, mas que já indica que a variante P.1 traz um agravo para crianças”, revelou a infectologista. No entanto, o motivo para a mudança no perfil dos pacientes de Covid-19 ainda não é extremamente claro para os médicos e as pesquisas devem continuar em andamento. No início da pandemia, em março de 2020, as entidades de saúde advertiam como grupo de risco idosos acima de 60 anos e pessoas com comorbidades, como diabetes, hipertensão e doenças respiratórias. Bebês, crianças e jovens eram considerados como vetores de transmissão, pois apesar de estarem suscetíveis a serem contaminados com o vírus, apresentavam, em geral, quadro assintomático ou sintomas leves. Contudo, a mudança no cenário tem preocupado os especialistas. O retorno das crianças para as escolas e a queda no isolamento social também são fatores de alerta para o aumento de menores infectados. “Se torna uma emergência de saúde pública, porque as crianças estão voltando para as escolas e se contaminando por lá. Aquelas crianças que não tem condição de ir de carro, acabam indo de ônibus com a mãe e os nossos ônibus são completamente impróprios para impedir a disseminação do Covid-19. E as crianças não estão no hall de pessoas a serem vacinadas”, relembrou a infectologista.

IMUNIZAÇÃO

Visto o agravamento dos casos e a alta ocupação dos leitos hospitalares, a imunidade de rebanho, que acontece quando uma maioria da população foi infectada pelo vírus e adquiriu anticorpos contra a doença, não é mais uma alternativa para reduzir o número de crianças contaminadas. Dessa forma, a vacinação segue como único caminho possível para conter a doença. “Tanto a CoronaVac, quanto as demais vacinas, estimulam o organismo a fabricar anticorpos neutralizantes contra o vírus da Covid-19, que também pode ser medido em pacientes que foram contaminados pela doença há mais de vinte dias”, concluiu a médica. Na última quinta-feira (25), a farmacêutica americana Pfizer, em parceria com a empresa alemã BioNTech, anunciou o início dos testes da sua vacina contra o coronavírus em crianças menores de doze anos. A expectativa é que a imunização da população dentro dessa faixa etária seja ampliada até o começo de 2022.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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