Cidades
Morelli critica condu��o do Fome Zero pelo governo Lula
O bispo de Duque de Caxias/RJ, dom Mauro Morelli, membro do Conselho de Segurança Alimentar (Consea) do governo federal, criticou a forma como está sendo conduzido o programa Fome Zero e afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está trilhando o mesmo caminho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, no que diz respeito à questão da fome no Brasil. ?O governo Lula não evoluiu nesse tema e trata como solidariedade o que é uma questão de direito?, disse. Segundo ele, se todos os ministros, ordinariamente, não trabalham para que o País saia da miséria, tenha educação, cultura, trabalho, distribuição de renda, saúde e educação, não há ministros extraordinários para resolver a questão. ?Ficaremos apenas na retórica, atendendo parcialmente e de forma inadequada esses problemas?, afirmou. Dom Mauro Morelli está em Alagoas, participando da I Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, evento aberto ontem, no auditório do Senai, com programação que prossegue até hoje, quando, dentre outras questões, será discutido e aprovado o Regimento Interno da I Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional de Alagoas. Na opinião de Morelli, que também é membro da Organização das Nações Unidas (ONU) e presidente do Conselho de Segurança Alimentar de Minas Gerais, a visão do Ministério da Segurança Alimentar é inadequada. ?A estrutura que o governo idealizou não corresponde à experiência que nós, que fazemos parte dos movimentos sociais, temos. Eles não entendem de movimentos sociais e a proposta apresentada para combater a fome não traz uma dimensão decisiva da alimentação, que é a nutrição. Na minha visão, é importante que todas as pessoas, de qualquer classe social, sejam do sexo feminino ou masculino, quando tratarem da fome, digam: ?Isso atinge a mim pessoalmente?, pois mesmo ela sendo rica, pode estar, por exemplo, sendo envenenada, na própria alimentação, sem saber?, observou. Desnutrição ?Temos que comer para ficar nutridos. Todo alimento deve ter os ingredientes naturais, os sais minerais e nutrientes que respondam à nossa necessidade completa como pessoa e não apenas à necessidade física?, acrescentou, afirmando que é preciso haver uma mudança radical na conversa do governo sobre a fome no País. ?Só agora eles estão tratando um pouco dessa questão, estão tendo uma dimensão melhor da nutrição e da saúde do País. Um país que não tem saúde e não prioriza a educação, não pode ter democracia. É preciso investir nessas áreas, assim como em habitação popular, melhorando a qualidade de vida das pessoas, colocando as crianças nas escolas, mas crianças bem nutridas e não com fome. Aí, sim, teremos um avanço no Brasil?. ?É impossível um ministro sair pelo País a fora, desenvolvendo projetos e programas sociais, como ocorre no Brasil. O que recomendamos é a criação de uma secretaria especial que tivesse essa prioridade, como eixo do desenvolvimento, trabalhando em todos os ministérios, de forma que todos eles pudessem contribuir dentro de suas especificidades, a fim de encaminhar soluções para o problema da fome?. Essa é a recomendação que dom Mauro Morelli faz ao governo federal. ?De que adianta o governo pedir a empresários que doem alimentos? Os empresários pagam impostos e o que eles querem é uma economia que lhes permitam produzir e não especular?, disse Morelli. Na sua opinião, o que os empresários esperam não é a convocação para que façam doações para o Fome Zero, mas que eles dinamizem o seu trabalho empresarial. ?Isso para que a classe empresarial tenha condições de produzir e oferecer trabalho, pois o grande problema da fome no Brasil é o fato de as pessoas não terem acesso ao alimento, não porque não se produz, mas porque não têm dinheiro para comprar?, observou.