Cidades
MP cobra explica��o sobre exterm�nio de menores
ARNALDO FERREIRA O procurador-geral de Justiça, Dilmar Lopes Camerino, através de ofício encaminhado ontem ao secretário estadual de Defesa Social, Robervaldo Davino, cobrou explicações sobre a existência de supostos grupos de extermínio de Meninos e Meninas de Rua, conforme especula a matéria especial da revista IstoÉ, edição da semana passada, intitulada Adeus Meninos?. Hoje chega em Alagoas o representante do Unicef, Fábio Atanázio, para participar de uma audiência pública, às 10 horas, na sede da Procuradoria Geral de Justiça, onde será discutida a real situação dos Meninos e Meninas de rua de Alagoas. Dilmar Camerino revelou que acompanha com preocupação os debates que envolvem denunciantes, autoridades e a matéria especial da revista de circulação nacional. ?A reportagem aponta nomes de denunciantes e de vítimas. Estou cobrando da Secretaria de Defesa Social quais as providências adotadas para esclarecer a existência de supostos grupos de extermínio do Estado?. Camerino observou que a morte de uma criança ou adolescente por grupos de extermínio tem o mesmo peso da gravidade que cem mortes. ?Estamos diante de uma reportagem feita com base em pesquisa que precisa ser esclarecida. A reportagem mostra muitas vítimas?. Entidades O Ministério Público recebe hoje entidades governamentais e não-governamentais que prometem apresentar os resultados de uma pesquisa financiada pelo Unicef sobre a situação de crianças e adolescentes em situação de risco ou trabalhando. Segundo uma das conselheiras do Conselho Tutelar de Maceió, Diari Farias - também assessora técnica da Secretaria Municipal de Assistência Social - a pesquisa realizada no período de outubro a novembro de 2003 detectou que existem 540 crianças e adolescentes trabalhando na rua. Cópias desta pesquisa será encaminhada ao chefe do MP e ao representante do Unicef. ?A matéria da revista IstoÉ apresentou equívocos numéricos. Primeiro, não existe 98 mil crianças e adolescentes em situação de risco em Maceió. O que existe são 98 mil crianças e adolescentes em situação de pobreza?, contestou Diari Farias, que rebateu ainda: ?Os números de extermínio de menores são outro absurdo?. Diari fez coro com as 16 entidades que cuidam de crianças e adolescentes pobres e que, junto com a OAB/AL, no dia 9 de janeiro, rebateram a revista IstoÉ. Uma das fontes da reportagem, o ex-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes da OAB, Gilberto Irineu, foi procurado ontem pela GAZETA, mas não foi encontrado e seu telefone celular estava desligado. A prefeita Kátia Born (PSB), no fim da manhã, considerou que a reportagem da revista é exagerada. ?A matéria mostra como se todos os policiais militares de Alagoas estivessem matando a sociedade. Digo assim porque não diferencio o menino de rua de um cidadão comum?. Kátia destacou que os meninos e meninas de rua precisam de mais respeito da sociedade. ?Esses meninos que usam drogas precisam ser tratados como pessoas doentes?. Mas ao ser questionada sobre a permanência dos meninos na rua em frente à Praça dos Martírios, que fica entre o Palácio do Governo e a sede da prefeitura, Kátia frisou que ?o problema não é tão simples de resolver?. Ao justificar disse que a nova metodologia da medicina orienta tratar as crianças no habitat. ?Hoje estamos tratando 15 crianças com Aids que vivem na praça, entre eles casais com filhos. Estamos trabalhando para tirar essas crianças da rua?, garantiu.