Cidades
Greve no INSS inviabiliza tr�s mil per�cias em AL
FÁTIMA VASCONCELLOS Cerca de três mil solicitações de perícia médica encontram-se encalhadas no INSS/AL, por causa da greve deflagrada pela categoria, há 43 dias, como revelou, ontem, o delegado regional da Associação Nacional dos Médicos Peritos, Gilberto Costa. Segundo ele, 95% dos 83 peritos do Estado aderiram à paralisação. Os pedidos de renovação de aposentadoria por invalidez não estão sendo atendidos, bem como as avaliações para isenção de Imposto de Renda (atualmente as cardiopatias graves, entre outras patologias, isentam o cidadão do IR). Os requerimentos de perícia por acidente de trabalho e/ou de percurso para o trabalho também estão suspensos enquanto a greve durar. Ou seja, quem precisar usufruir do direito de auxílio por acidente também ficará prejudicado durante esse período de paralisação. Reivindicações Gilberto lembra que a greve é nacional. Entre as reivindicações constam a regulamentação da carreira de médico perito, o que vai implicar em melhoria tanto do salário quanto das condições do trabalho. ?Estamos sem reajuste há oito anos, com um valor inicial de R$ 1.300 que praticamente se mantém estático para quem tem tempo de serviço. Hoje, quem recebe mais chega a R$ 2.000, o que ainda é um valor irrisório para a responsabilidade da função?, desabafou. Com a regulamentação pleiteada, os vencimentos passariam para R$ 3.800, em média, mas os médicos teriam a carga de trabalho alterado de 20 para 40 horas semanais. ?Na audiência entre o pessoal do comando da greve e o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, houve concordância com a pauta de reivindicação. O ministro reconhece a justeza do pedido mas alega não dispor de recursos, no momento. Pediu dois meses para apresentar uma proposta, mas a categoria rejeitou durante a última assembléia. Na verdade, o governo quer empurrar o problema com a barriga. Não vamos cair no jogo, por isso, a greve está mantida. Estamos de olho, inclusive, na tentativa de substituição de mão-de-obra. É ilegal credenciar médicos para fazer o serviço emergencialmente. Perícia médica só pode ser feita por profissionais do quadro da Previdência. Se essa garantia constitucional for ferida vamos entrar com recurso no Ministério Público Federal?, adiantou. A categoria também quer definição de atribuições no INSS e concurso público. Gilberto Costa acrescenta que o governo tentou reter o salário dos grevistas, mas por força de uma liminar o pagamento foi liberado ontem. Em nota divulgada na semana passada pelo governo federal, através da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, os médicos peritos do INSS foram convocados a voltar ao trabalho. Na mesma nota, o governo reitera a intenção de cumprir a Constituição e a lei, assegurando a prestação do serviço à comunidade.