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PROFISSIONAIS DA SAÚDE DIZEM ESTAR VIVENDO ‘MOMENTO DE GUERRA’

Dia a dia de quem está na linha de frente de combate à Covid é marcado por angústia e desgaste físico e emocional

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Imagem ilustrativa da imagem PROFISSIONAIS DA SAÚDE DIZEM ESTAR VIVENDO ‘MOMENTO DE GUERRA’
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A pandemia do novo coronavírus tem sido uma realidade exaustiva para grande parte dos brasileiros que lidam com os desgastes provocados pela disseminação da Covid-19. Não restam dúvidas de que os profissionais da saúde têm sentido esses impactos de forma ainda mais agressiva. Em Alagoas, trabalhadores da área que atuam há mais de um ano na linha de frente do combate à Covid-19 relatam dias de angústia e de profundo desgaste. São inúmeras as experiências vividas pelos profissionais da saúde alagoana, que tem lidado com situações que, até então, nunca haviam imaginado viver. A enfermeira Maria Silva* (nome fictício), que há mais de um ano lida diretamente com casos de Covid, conta um dos momentos com um paciente jovem que mais a marcou. Temendo represálias, a profissional preferiu não se identificar. “Houve um caso que me marcou muito que foi o de um paciente que tinha por volta de 30 anos e chegou até nós com o pulmão bem comprometido. O telefone dele tocou, ele pediu pra ouvir o último áudio da esposa enquanto falava com dificuldade pela falta de ar e todos nós da equipe ouvimos o áudio em que a esposa e os filhos pediam que ele voltasse logo para casa e por fim o paciente acabou morrendo e nós simplesmente não sabemos o que falar nessas situações”, disse. Ela conta, ainda, que a rotina imposta aos profissionais da saúde durante esse período de pandemia tem sido dura. “Nós temos sido mães, pais, irmãos e filhos de muitos pacientes. Tem sido uma rotina desgastante, por muitas vezes passamos da hora de ir ao banheiro, porque não há tempo, porque aquele paciente depende muito de você. Estamos muito cansados e sobrecarregados em todos os sentidos. Às vezes conversamos entre nós e percebemos que somos realmente heróis porque não tem sido fácil”, contou.

APOIO MÚTUO

O enfermeiro Paulo Guimarães, que também atua na linha de frente da luta contra o coronavírus desde o início, também fala do apoio que os profissionais têm encontrado uns nos outros para conseguir lidar com o momento de dificuldade. “O início foi muito complicado porque muitos não tinham experiência com UTI. De uma maneira geral estamos todos cansados, vejo colegas estressados e conversamos entre nós pra ter calma. hoje como estamos mais bem treinados, ainda assim seguimos cansados, que volte logo a vida normal, sem o medo de contaminar ou levar o vírus. Há um ano que não dou um abraço na minha mãe, só vejo de longe”, disse.

RELAÇÃO COM PACIENTES

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Maria Silva compara a luta contra a Covid-19 nos corredores das unidades de saúde a um momento de guerra e que, por vezes, buscam forças no espiritual. “Quando olhamos pro pacientes buscamos forças que eu creio que venham do céu, porque se trata de uma doença muito pesada, principalmente a nível de UTI, que é quando o paciente chega a um caso mais grave e a sensação é de que estamos em guerra lutando contra um inimigo invisível, onde não se houve tiro, mas se ouve muita dor.”, contou. Já Paulo lembra da importância do acolhimento ao paciente pelo profissional da saúde em um momento de vulnerabilidade de quem ali está precisando de atenção e cuidados. “Com relação aos pacientes graves, o que podemos fazer é dar o nosso máximo por eles naquele momento. Mas com os outros que não estão intubados, nós tentamos dar força, acalmar com uma boa conversa que, pelo paciente se encontrar agitado, por vezes pode até evitar uma intubação. E é isso que fazemos, tentamos ao máximo segurar pra não ter que intubar e é gratificante ver o paciente que não precisou daquela intervenção”, disse.

* Sob supervisão da editoria de Cidades.

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