Cidades
FALTA DE PESSOAL GERA SOBRECARGA NOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE
Categoria relata volume excessivo de trabalho em algumas unidades do Estado, com consequências físicas e emocionais
Rotinas exaustivas, sobrecarga de trabalho, tensão e desgaste. Essa tem sido a realidade dos profissionais da saúde alagoana desde o início da pandemia de Covid-19. Eles relatam que o volume excessivo de trabalho em algumas unidades de saúde do estado tem deixado muitos debilitados física e emocionalmente.
Entre a categoria há uma reclamação recorrente: faltam profissionais nos hospitais. Eles dizem que a escassez de pessoas qualificadas acaba sobrecarregando quem já trabalha dentro das unidades de saúde.
Rildo Bezerra é enfermeiro em algumas unidades de saúde da capital e conta que o subdimensionamento entre os profissionais tem sido recorrente. “O que nós estamos sentindo muito no dia a dia é o subdimensionamento de profissionais. Acontece, por vezes, que um só profissional fica responsável por cinco pacientes. É isso que tem nos deixado cansados e fatigados, porque, infelizmente, acabamos trabalhando dobrado.”, disse.
“Tem profissionais que precisam de até três empregos para ter uma renda que seja razoável”, completou o enfermeiro.
Outros falam que a tensão já comum neste ambiente de trabalho tem sido ainda mais intensa dentro do contexto da pandemia de Covid-19 e tem tomado de conta entre os trabalhadores da saúde. A enfermeira Patrícia Rosendo diz que a categoria tem vivido dias que jamais imaginou viver.
“Nós da saúde estamos passando por provações, sendo física, emocional e psicológica, com uma situação que a gente jamais imaginou passar, que é a pandemia. Ficamos inseguros com relação à proteção da nossa família e ao mesmo tempo temos que lidar, também, com as famílias das pessoas que estão internadas e isso nos faz viver sob muita tensão”, disse.
Patrícia conta, ainda, que mesmo em uma rotina exaustiva de trabalho tem tentado dar o seu melhor.
“A pressão é muito grande, porque quanto mais cansados e o tempo passa, chega mais paciente, nós nos desgastamos mais ainda. Nós estamos abalados, a sobrecarga de trabalho está sendo difícil. Tentamos dar o melhor, mas tem horas que não conseguimos e às vezes penso que o melhor que eu posso dar ainda é muito pouco. Os dias têm sido cada vez mais difíceis vendo colegas entrando em depressão. A sensação é de que estamos vivendo essa luta diária há muito mais de um ano.”, conta.
DESGASTE
Já Rildo lamenta a falta de profissionais capacitados que possam lidar com as demandas geradas pela pandemia e completa que a falta de valorização desta pode ser desgastante. “Há poucos profissionais capacitados e especialistas na saúde em um contexto geral para lidar com pacientes graves na UTI. Sinto falta de um número maior de profissionais com especialidade. A enfermagem é uma profissão de abnegação, porque não é fácil e você precisa gostar do que faz e muita vezes para ganhar um salário mínimo.”, disse. O que dizem os sindicatos Segundo o Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas (Sineal) e Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), não há números que identifiquem quantos profissionais de saúde chegaram a pedir demissão de unidades de saúde neste período da pandemia de Covid-19. À Gazeta de Alagoas o Sineal informou que, apesar dos relatos dos profissionais, as questões trabalhistas que envolvem sobrecarga de trabalho têm sido raras. “As maiores demandas que chegam ao sindicato são relacionadas a afastamentos de pessoas do grupo de risco e questões remuneratórias. Há até um grande movimento pela convocação de aprovados em concurso para o HU. Mas as questões de sobrecarga de trabalho são raras”, disse o sindicato em comunicado. Já o presidente do Sinmed, Marcos Holanda, afirma ter conhecimento de unidades de saúde no interior do Estado onde a diretoria estaria pressionando funcionários a dobrar a carga horária de plantão em razão da falta de profissionais. “Muitas vezes no setor público, acontece de diretores de unidades de saúde pressionarem colegas médicos a dobrar a carga horário de plantão porque não estavam conseguindo preencher as vagas da forma adequada, então, por muitas vezes, os colegas têm ficado cansados nessa rotina.”, conta.
* Sob supervisão da editoria de Cidades.
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