Cidades
Protesto de taxistas gera caos no tr�nsito do Centro
FÁTIMA ALMEIDA Uma manifestação dos taxistas que fazem lotação bloqueou o trânsito na Ladeira dos Martírios durante grande parte da manhã de ontem, causando congestionamentos na Rua João Pessoa e na Avenida Fernandes Lima. Eles pararam os carros por volta das 9h, em frente à Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), para protestar contra a maneira como vêm sendo abordados por agentes de trânsito nas ruas de Maceió. Em vários momentos houve bate-bocas que, por pouco, não chegaram ao atrito físico. O trânsito só foi liberado por volta do meio-dia, depois de uma reunião dos manifestantes com o superintendente da SMTT Francisco Beltrão, onde ficou acertado que seria lavrado um termo de ajuste de conduta a ser assinado e cumprido por ambas as partes. Enquanto durou a manifestação os ônibus urbanos tiveram que desviar o percurso, obrigando os usuários a descerem na Embratel e seguirem a pé até o centro da cidade. De acordo com o presidente da Associação dos Condutores de Transporte Alternativo de Passageiros de Maceió, Adriano de Freitas, houve quebra de um acordo firmado com SMTT há cerca de três meses, segundo o qual os taxistas não fariam ponto para apanhar lotação e, em contrapartida, não seriam abordados em trânsito. De acordo com o assessor especial da SMTT, José Moura, os taxistas é que não vinham obedecendo às regras, fazendo paradas no centro da cidade, principalmente na Rua Augusta, onde chegam a se concentram em filas para fazer lotação. Segundo Adriano, só na última terça-feira, seis taxistas tiveram seus carros apreendidos quando estavam em trânsito. Os relatos dos taxistas falam de abordagens ostensivas e agressivas aos profissionais, por policiais e guardas de trânsito, o que causou a revolta da categoria. Márcio Sarmento exibia com indignação uma camisa que, segundo ele, fora rasgada pelos agentes de trânsito na última segunda-feira, ao retirá-lo do veículo puxado pela ?beca?. Ele denunciou que uma arma foi apontada para a sua cabeça e que foi levado algemado para o camburão da polícia, sendo liberado graças à intervenção de um companheiro. Márcio garante que foi tratado dessa maneira mesmo sem ter reagido à abordagem. Apuração O superintendente da SMTT, Francisco Beltrão, prometeu apurar a responsabilidade de agentes de trânsito que tenham cometido excessos na abordagem aos táxis-lotação. Se forem confirmadas as denúncias de abuso o agente será punido, promete ele, lamentando que essas questões não tenham sido comunicadas aos dirigentes do órgão antes de culminar numa manifestação como a ocorrida ontem. Beltrão confirmou que há cerca de quatro meses foi intensificado o processo de fiscalização para coibir o transporte irregular de passageiros. A SMTT disponibilizou para esse serviço, segundo ele, 10 veículos e cerca de 30 agentes. ?O taxi-lotação é uma irregularidade?, afirma Beltrão. Por incrível que pareça, ele tem a concordância, declarada durante a reunião, do próprio presidente da Associação, Adriano de Freitas, para essa afirmativa. O dirigente de classe até se comprometeu em ajudar, ele mesmo, a identificar e recolher o veículo de quem cometer essa irregularidade. Beltrão admite, entretanto, que nada pode impedir duas ou três pessoas de se juntar e resolver dividir um taxi, desde que isso não seja feito num ponto de ônibus. ?Qualquer motorista que parar num pontos de ônibus, seja taxista ou particular, está cometendo uma infração de trânsito?, lembra ele. Portanto, a fiscalização vai continuar, segundo a SMTT. O que muda daqui para a frente é a abordagem. Se o infrator for flagrado e estiver com passageiro, não será parado na hora. Será autuado e seguido por uma viatura da SMTT, até cumprir um destino acertado com o usuário, e, só então, será recolhido para prestar contas da sua infração.