Cidades
Situa��o piora com esgotamento sanit�rio prec�rio
Valmir Calheiros O problema em Maceió torna-se ainda mais preocupante pelo fato de a cidade não dispor de uma infra-estrutura adequada de coleta, tratamento e disposição final do lixo domiciliar, industrial e até de contaminantes dos serviços da área de saúde, incluindo da rede pública, conforme indica um estudo recente realizado pelo engenheiro e ambientalista Marcos Carnaúba, que já presidiu o IMA e foi secretário de Recursos Hídricos do Estado. De acordo com ele, apenas 78% do lixo gerado pelos domicílios em Maceió é coletado regulamente, 17% é lançado em terrenos baldios, 3% nos corpos d?água, e o restante é queimado, enterrado ou recebe outro fim. Para piorar ainda mais a situação, o sistema de esgotamento sanitário da cidade é precário. Menos de 30% dos dejetos das residências escoam para a rede geral. Com isso, o lençol freático, o sistema de galerias pluviais, os rios, os canais, as lagoas e o mar acabam recebendo a maior quantidade de efluentes sem qualquer tipo de tratamento. Na prática, diz Carnaúba, - ?o sistema de drenagem funciona como sistema unitário de esgotos causando a poluição das águas. Sobretudo, nas épocas de chuvas intensas ou de cheias?. Os detalhes desse e tantos outros problemas decorrentes dos lixões constam das conclusões de um levantamento realizado durante cinco meses, a contar de outubro de 2001, em 42 das 102 cidades alagoanas, incluindo a capital, por técnicos do IMA e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tendo à frente o engenheiro José Fernando Thomé Jucá, desta última instituição, que fez parte da equipe executora do projeto da Política de Recursos Sólidos pernambucana já implantada. Política de resíduos O levantamento foi de-senvolvido mediante convênio firmado pelo governo do Estado com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Ministério do Meio Ambiente. Ele é suficientemente abrangente, porque, juntas, essas cidades, de acordo com o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abrigam 1.684.234 habitantes ou 87,8% dos moradores urbanos do Estado e respondem por 90,25% do Produto Interno Bruto (PIB) alagoano. E servirá de base para a elaboração da Política de Resíduos Sólidos de Alagoas, cujo projeto de lei deverá ser encaminhado à apreciação da Assembléia Legislativa ainda neste semestre. Conseqüentemente, o Estado poderá ser incluído, até o fim deste ano, entre os primeiros em todo o País a adotar essas novas diretrizes. O mencionado levantamento, como explica o diretor técnico do IMA, Ricardo César de Barros Almeida, começou a ser feito a partir de condicionantes ambientais, socioeconômicas e de informações sobre os resíduos sólidos, tendo como objetivos principais a realização do diagnóstico dos serviços de limpeza urbana no Estado, com enfoque na avaliação sanitária e ambiental; a criação de um conjunto de indicadores que permitam avaliar a qualidade e eficiência desse serviço, bem como as análises da disposição final dos resíduos industriais e dos estabelecimentos da área da saúde.