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Lix�es afetam meio ambiente em todo o Estado

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Valmir Calheiros Alagoas continua com um de seus mais antigos e maiores desafios: a destinação final do lixo, feita a céu aberto, sem qualquer controle sanitário ou ambiental, com potencial de contaminação dos recursos hídricos, do solo e do ar. O problema predomina como alternativa quase absoluta no território alagoano, onde tem sido fácil constatar também a presença, entre os catadores dos lixões, em vários municípios, no Sertão principalmente, de famílias inteiras, inclusive crianças e adolescentes, disputando o lixo com animais. Em sua maioria, esses vazadouros estão em áreas produtivas, de propriedade particular (usinas) e normalmente em encostas, às margens de rios, próximos de nascentes, de plantações de cana, de lavoura de subsistência, de matas, e sob rede de distribuição de energia de alta-tensão. As realidades mais preocupantes podem ser constatadas em cidades da zona da mata. Sobretudo, nas que são cortadas pelas principais lagoas do Estado e pelos rios Mundaú e Paraíba do Meio, bem como na parte Norte e no Baixo São Francisco. Como efeitos dos impactos ambientais na quase totalidade dos municípios, estão relacionadas, no levantamento, a poluição visual e olfativa, diretamente associada à deterioração da qualidade do ar, com a queima do lixo e os gases resultantes da decomposição de material orgânico; a contaminação das águas de superfície e subterrânea, e do solo pelo chorume ? resíduo do lixo transformado em líquido decorrente da decomposição dos produtos orgânicos e químicos descartados nos monturos - e que resulta em problemas de alta magnitude, de grande importância e de abrangência regional. Também a deterioração do meio ambiente afetando a vegetação, destruindo a fauna aquática, - como a mortandade de peixes que tem ocorrido nas lagoas, rios e no oceano, ocasionado pela redução de oxigênio nas águas de superfície, além de causar problemas de saúde pública. Em todo o Estado existem apenas cinco aterros sanitários considerados controlados, construídos pelas prefeituras, mas ainda sem o devido licenciamento do Instituto do Meio Ambiente (IMA), e um aterro industrial, o da Companhia Alagoas Industrial (Cinal), em Marechal Deodoro, que faz a coleta, o transporte e a destinação final do lixo hospitalar somente do setor privado da capital e também recebe os resíduos sólidos e líquidos de várias indústrias, inclusive de outros Estados. Fora disso, a situação é das mais alarmantes. A partir da capital Os maiores problemas nessa área começam em Maceió, com o lixão de Cruz das Almas, dentro da cidade, recebendo diariamente cerca de 1.100 toneladas de resíduos que terminam sendo aí espalhados sem nenhum material de cobertura. O ?Lixão da Cobel?, como é conhecido, ocupa uma área de 22 hectares, desde 1967. A maior parte de todo o lixo depositado nele, formando monturos de até mais de 30 metros de altura, contribui para a contaminação do solo e causa impacto sobre o meio antrópico ? gera incômodos nas comunidades que vivem nos bairros próximos, inclusive habitações a 100 metros de distância ? pela quantidade de insetos, principalmente moscas. O IMA já constatou que, quando ocorre combustão espontânea, os gases e material particulado chegam a atingir não apenas Cruz das Almas e outros bairros próximos, como Jacarecica e Mangabeiras, mas também parte do bairro de Ponta Verde, até o Hotel Meliá, na orla de Jatiúca e o Hospital do Açúcar, no Farol, causando diversos transtornos. Segundo os especialistas em Hidrologia, além de contaminar as águas de um riacho da Bacia Hidrográfica do Rio Jacarecica, que deságua na Praia de Cruz das Almas e proporcionar risco potencial deste impacto em toda essa área, esse que é o maior lixão do Estado, é a principal fonte de contaminação do lençol freático no perímetro urbano de Maceió.

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