Cidades
Recupera��o de S�o Jos� da Laje custar� R$ 800 mil
FÁTIMA ALMEIDA O município de São José da Laje vai precisar de aproximadamente R$ 800 mil para recuperar o que foi destruído pelas chuvas. Os cálculos são do prefeito Márcio Lyra, mas ainda não foram confirmados oficialmente pela Defesa Civil. De acordo com os levantamentos apresentados pelo prefeito, 65% das casas do povoado Caruru desabaram na semana passada. Isso significa 41 unidades habitacionais a serem reerguidas. Ele disse que depende totalmente de recursos dos governos estadual e federal para sair do prejuízo. Além das casas, cinco pontes foram danificadas no município. Duas delas foram totalmente destruídas, deixando a comunidade praticamente isolada. O acesso só pode ser feito agora, contornando a serra, o que obriga os produtores a percorrerem uma distância muito maior até o centro da cidade. Ainda segundo o prefeito, cinco quilômetros de estradas vicinais também foram destruídos. Caruru é uma comunidade agrícola, responsável por boa parte dos alimentos que abastecem a feira da cidade. A comunidade tem cerca de 300 habitantes, dos quais 190 perderam suas casas e tiveram que ser abrigados em alojamentos improvisados pela prefeitura. O município já teve a situação de emergência reconhecida oficialmente pelo Estado. Márcio Lyra assumiu a prefeitura de São José da Laje há cinco meses e confessa que não estava preparado para uma situação como essa. O município não tem Plano de Emergência, uma vez que não implantou a Coordenação Municipal de Defesa Civil (que ficaria responsável pela elaboração de plano emergencial, como também pelo levantamento das áreas de risco), apesar de um histórico de desastres provocados pelas águas. Destruição Em março de 1969 São José da Laje - durante a festa de São José, padroeiro da cidade - foi atingida por uma tromba d?água que teve origem na cabeceira do Rio Canhoto e devastou a cidade. Centenas perderam a vida na catástrofe que marcou gerações. Ainda, hoje, não há registro oficial do número de vítimas da tragédia. A enchente destruiu casas, prédios públicos, estabelecimentos comerciais, pavimentação... Em conseqüência dessa enchente, o governo criou a primeira secretaria extraordinária do Estado com objetivo exclusivo de administrar os recursos destinados à reconstrução da cidade. Na realidade, uma nova cidade foi erguida na parte mais elevada de são José da Laje, na administração de Osvaldo Timóteo. Em 1983 foi construído um cais de contenção para proteger a cidade contra as trombas d?água. O prefeito Márcio Lyra já planeja outra obra dessa em áreas que continuam vulneráveis às enchentes. Segundo ele, o município tem recebido ajuda de prefeitos e comunidades vizinhas, como doação de alimentos e agasalhos para as vítimas, famílias inteiras que perderam tudo com a enchente, desde roupas, móveis, documentos, até a o próprio teto. ?Nosso apelo para o governo estadual e federal é pela reconstrução da infra-estrutura da cidade?, conclui ele.