Cidades
Economista diz que Alagoas n�o tem chance: Angola seria a solu��o
O economista alagoano Beroaldo Maia Gomes acha que Alagoas não tem muita chance de ganhar essa parada, tornando-se o Estado escolhido para receber a refinaria de petróleo, mesmo em condições geográficas e estruturais favoráveis. ?Todos os estados nordestinos querem essa refinaria, mas enquanto o Nordeste estiver dividido, Alagoas não tem chance?, salientou. Ele expressa sua opinião com base na experiência histórica que deixou sempre a região fora dos mais importantes investimentos neste setor. Segundo Beroaldo, há 50 anos, os estados da Bahia para cima perderam chances de dispor de uma refinaria de petróleo. ?Em 1960, ao invés de sair a Refinaria de Paranaguá, no Paraná, o investimento deveria ter sido feito em Pernambuco, no Suape?, destacou, ressaltando a falta de união dos nordestinos nesta luta pelo empreendimento como fator principal para as perdas. O economista defende que Alagoas possa ampliar seu mercado de importação e exportação de petróleo com a Venezuela e África do Sul, sobretudo, Angola. ?Os estados de Pernambuco e Ceará avançaram bastante no comércio de petróleo com a Venezuela. Angola, por sua vez, descobriu muito petróleo e gás nas décadas de 70 e 80 em seu território, mas a guerra atrapalhou os negócios, que podem ser retomados agora?, afirmou o economista. Segundo Beroaldo, representantes da embaixada de Angola, no Brasil, estiveram em Alagoas em 1975 e ficaram encantados com a possibilidade de comercializar com a Salgema, indústria química, hoje, assumida pela Braskem. O petróleo africano seria a moeda de troca. ?Hoje, Alagoas pode servir de interesse comercial para Angola: trocando petróleo por dicloretano, seria uma solução alternativa que poderia trazer alguns dividendos no futuro?, comentou. O dicloretano é matéria-prima para fabricação de tubos e conexões, produtos essenciais para sistemas de abastecimento d?água e para irrigação, tão importantes para a modernização da agricultura angolana deste período pós-guerra. ?Seria uma parceria das mais interessantes entre Maceió e Luanda?, esclareceu Beroaldo. Outros mercados promissores por ele apontados são Moçambique e Nigéria. Ele lembra o total interesse do governo Lula em aumentar o comércio internacional a todos os países do mundo. Há um especial interesse em elevar os laços comerciais com os países da África do Sul e Índia, que junto ao Mercosul, formarão o G3, um dos maiores mercados, daqui a 70 anos, segundo analisa Beroaldo Gomes.