Cidades
AL ter� R$ 120 milh�es para reconstruir ferrovias
Um problema crônico para as indústrias de Alagoas está para ser solucionado. Os cerca de 200 quilômetros de malha ferroviária destruídos pelas chuvas de inverno em 2000, que acabaram isolando economicamente o Estado e complicando a logística dos setores produtivos, serão recuperados. A Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN) anunciou que vai investir R$ 120 milhões na reconstituição do trecho e que os recursos deverão estar disponíveis até o próximo mês de março. Segundo o gerente de negócios da companhia, Cley Garrido Rego, os recursos serão provenientes do Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor). Ele disse que a princípio as obras seriam iniciadas este mês, mas houve um atraso nos trâmites da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).?Todos os projetos de recuperação da malha ferroviária de Alagoas já foram entregues à Sudene e estão em fase final de avaliação. O atraso na liberação dos recursos é sempre esperado, pois se trata de verba do governo federal. Mas acreditamos que até março o dinheiro esteja disponível?, explicou. Cley Garrido disse que, após o início das obras, a previsão para a recuperação total da malha ferroviária alagoana é de doze meses. ?Porém, devido à urgência da operação, a CFN vai dar força total aos trabalhos e deve concluí-los em seis meses?, frisou. O planejamento desses investimentos só foi possível após a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), para a transferência acionária das concessionárias de serviço público de transportes ferroviários de cargas ? a Ferrovia Centro-Oeste (FCA) e a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), que tiveram alienadas as ações entre os grupos econômicos Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Com isso, a Vale está saindo do negócio e o perfil societário fica composto dessa forma: 48% de participação da CSN e 48% do Grupo Vicunha. Agora, a concessionária deverá investir R$ 200 milhões na recuperação da malha Nordeste e promover a modernização no material rodante. Metade desses recursos para investimento é proveniente do BNDES. De acordo com Cley Garrido, os editais de concessão dessas malhas limitaram a participação, direta ou indiretamente, de qualquer acionista, no capital votante das concessionárias e criaram uma verdadeira confusão de responsabilidades. ?A demora para a recuperação dos trechos destruídos da malha ferroviária da região deveu-se a isso?, salientou. A notícia de liberação dos recursos para recuperação da malha ferroviária do Estado foi recebida com alívio pelos diversos setores produtivos de Alagoas, que dependem dessa modalidade de transporte para o escoamento da produção. O setor sucroalcooleiro é um dos mais prejudicados e a falta de conexão da ferrovia do Nordeste com outras regiões e estados realmente deixa o produto alagoano menos competitivo. O trecho interditado da ferrovia transportava 30% do total da carga movimentada pela CFN.