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Munic�pios ignoraram alerta da Defesa Civil

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FÁTIMA ALMEIDA Dos 102 municípios alagoanos apenas Maceió possui um plano de emergência para o período chuvoso. Ele foi elaborado no ano passado, por uma equipe técnica do Corpo de Bombeiros ligada à Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cedesc) e deveria servir de modelo para o planejamento das ações das coordenações municipais de Defesa Civil (Comdesc), conforme foi defendido pelo comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Paulo César Sales, em julho de 2003, quando da divulgação do Plano de Emprego de Defesa Civil para períodos chuvosos no Estado. Mas o modelo não foi implantado. Pior: nenhum município confirma o conhecimento do assunto, e nem o recebimento de nenhuma orientação do Corpo de Bombeiros nesse sentido. Entretanto reportagens publicadas na época (GAZETA DE ALAGOAS de 27/06/2003 e 06/07/2003) registram o alerta do comandante do Corpo de Bombeiros para a necessidade de cada município ter o seu plano emergencial para o período de chuvas, e apontam para o desinteresse dos municípios, destacando, por exemplo, que apenas seis, dos 102, enviaram representantes para uma reunião que a Cedesc realizou no dia 26 de junho de2003, para apresentar o plano estadual e oferecer orientação à elaboração dos planos municipais. O Plano Estadual aponta para quatro níveis de execução: observação (por meio de acompanhamento dos índices pluviométricos do Núcleo de Meteorologia e Recursos Hídricos); atenção (com vistorias nas áreas de risco); alerta (para remoção preventiva da população das áreas de risco); e alerta máximo (quando é necessária a remoção de toda a população que habita as áreas de risco). Fator surpresa O plano de Maceió traça uma radiografia das possibilidades de desastres que podem ocorrer, apontando para um trabalho planejado e articulado de vários órgãos. Para a maioria dos prefeitos, a situação de emergência causada por enchente é totalmente nova. ?Tenho 48 anos, já ouvi falar e já vivi muitas situações de emergência por causa da seca, mas nunca ouvi falar de pessoas desabrigadas por causa de enchente em Santana do Ipanema?, diz o prefeito Marcos Davi. A convivência com a seca, na opinião do prefeito de Pão de Açucar, Jorge Dantas, vice-presidente da AMA no exercício da presidência, justifica, em tese, o fato de nenhum deles ter um plano de emergência para chuvas. ?Os municípios do Sertão estavam quase todos em situação de emergência por causa da estiagem. E tem sido assim durante muitos anos. Quem poderia esperar que, de uma hora para outra, estivéssemos numa situação inversa, vivendo esse impacto provocado pelas águas!?, argumenta ele. O próprio Dantas vive essa mudança brusca de situação em seu município. Além disso, observa o prefeito, tradicionalmente o período chuvoso em Alagoas começa em abril. ?Este ano a chuva pegou todos de surpresa, começando em janeiro, e com essa intensidade?, observa Jorge Dantas.

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