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Chuvas fazem primeira v�tima fatal em Macei�

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FERNANDA MEDEIROS O que parecia ser um domingo normal para o pescador Edilson Balbino, 39, acabou se transformando em uma verdadeira tragédia para ele e seus familiares, todos residentes na Rua Ypiranga, na Chã de Bebedouro. Edilson foi registrado como a primeira vítima fatal, em Maceió, das intensas chuvas de verão que caem no Estado. Na tarde do último domingo, ele estava próximo à sua casa ? conversando com amigos e vizinhos, no horário do jogo Vasco x Bangu, transmitido pela televisão ? e, minutos depois, estava desaparecido. Segundo relato de testemunhas, quando Edilson voltava para casa, passando pelas escadarias que existem no local, foi arrastado pelas águas e acabou sendo sugado por um dos bueiros. O corpo desapareceu na correnteza e só foi encontrado ontem, pela manhã, por equipes de resgate do Corpo de Bombeiros Militar (CBM/AL). ?Estávamos todos nos divertindo e conversando sobre a partida de futebol e, quando ele ia passando pela passarela que dá acesso à sua residência, nas escadarias, acabou sendo derrubado e arrastado pelas águas que escorrem pela galeria e descem pelas escadarias. Quando vimos o que tinha acontecido, ainda tentamos socorrê-lo, mas não o alcançamos, pois a força das águas era imensa. Foi tudo muito rápido?, explica José Carlos dos Anjos, vizinho de Edilson, ainda desconsolado e sem se conformar com o que tinha acontecido com o amigo. De acordo com ele, homens do Corpo de Bombeiros foram acionados para tentar resgatar o corpo do pescador, no dia do acidente, mas não conseguiram localizá-lo. Na segunda-feira, a equipe de resgate, comandada pelo sargento Reinaldo, voltou ao local e, mais uma vez, não conseguiu achar o corpo. Somente ontem pela manhã, após quase 48 horas do acidente, ele foi encontrado, no Riacho Cardoso, para onde o corpo foi arrastado. ?Foi horrível. O corpo estava praticamente irreconhecível. Ainda estamos chocados. O Edilson era uma pessoa boa?, afirmou a dona de casa Ana Maria Balbino ? tia da vítima ? que, muito abalada, não teve condições de ir ao enterro do sobrinho. Quem também estava desconsolado e sem acreditar no que havia acontecido era um dos filhos do pescador, E. C. D., 16, que já havia chorado bastante pela perda do pai. ?Estamos sentindo muita falta dele, pois agora estamos sozinhos?, afirmava, enquanto aguardava a chegada da mãe, dona Sônia Maria Feitosa Costa, que foi ao sepultamento do marido, ontem à tarde. Além de E. C. D., Edilson Balbino deixou mais outros dois filhos, um de 15 anos e outra de 18 anos. Medo Os vizinhos do pescador estavam todos tristes, assustados e revoltados com o ocorrido e aproveitaram para fazer um apelo à Prefeitura, no sentido de melhorar as condições de infra-estrutura do local. ?Nós já pedimos várias melhorias para esta área, mas ninguém da Prefeitura nunca atendeu ao nosso pedido. Eles só empurram com a barriga. Tratam a situação com descaso?, disse José Carlos. Segundo ele, toda vez que chove, as águas invadem o local e a correnteza é capaz de arrastar tudo. ?Toda a água que escorre nas ruas próximas à Rua Ypiranga desce por essas galerias, assim como as águas da rua principal da Chã de Bebedouro. O volume de águas é muito grande e a tubulação não suporta. Só quem vive aqui é que sabe o que se passa neste bairro?, lamentou. Outra vizinha do pescador, a dona de casa aposentada Lindinalva da Silva, 74, também estava assustada com o que ocorreu. ?Ele era um homem bom, se dava bem com todos por aqui. Foi um fato lamentável. Ainda estamos assustados, temendo que possa acontecer com outras pessoas o mesmo que aconteceu com ele, pois mais chuvas vêm por aí?, observou. Alerta Em função do grande volume de águas que caem no Estado, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil permanece em estado de alerta. ?As chuvas estão diminuindo, mas não podemos prever o que vai acontecer?, disse o capitão Luís Renato, da Defesa Civil. Segundo boletim divulgado pelo órgão, no fim da tarde, não foi registrada nenhuma ocorrência no dia de ontem. ?Só tivemos esse caso lamentável, que aconteceu no domingo, mas que o corpo da vítima só foi encontrado ontem?, explicou o capitão Luís Renato, da Defesa Civil. Ele informou, no entanto, que a maior preocupação, agora, é em função do aumento da vazão da represa de Xingó. ?Essa é a nossa maior preocupação, neste momento. Por isso, estamos em alerta permanente?, revelou. Cestas Ontem, chegaram à capital alagoana 1.118 cestas básicas, com 18kg de alimentos cada uma, e 4.472 litros de água mineral, para serem distribuídos com os 17 municípios castigados pelas chuvas em Alagoas. A distribuição teve início, ontem mesmo, pela manhã, por várias equipes do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil Estadual. ?Esses produtos foram autorizados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil, sendo encaminhados à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para que a Defesa Civil efetue a distribuição?, disse o capitão Luís Renato. Segundo ele, os primeiros municípios a receberem as doações foram Batalha, Belo Monte, Major Isidoro e Jaramataia. Hoje, a distribuição continuará pelos demais municípios atingidos pelas chuvas. ?Nosso trabalho não pára?, finalizou.

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