loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Macei� � 3� do Pa�s em crian�as que vivem sob risco

Ouvir
Compartilhar

FÁTIMA ALMEIDA Um relatório da Pastoral da Criança, apresentado recentemente num congresso em Curitiba (PR), aponta Maceió entre as três capitais brasileiras com maior índice proporcional de crianças em situação de risco, dividindo espaço com o Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com Ivone Torres, coordenadora da Organização Não Governamental (ONG) em Alagoas, o documento mostra que mais de 49% das crianças da capital alagoana, na faixa entre 0 e 6 anos de idade, vivem em situação de risco devido às condições de extrema pobreza. Os números ? que segundo Ivone Torres foram levantados em 2003, com base em dados do IBGE ? mostram que Maceió tem 98.355 crianças nessa faixa etária, das quais 48.299 são consideradas muito pobres. A situação se agrava quando inclui o interior do Estado. Para se ter uma idéia, nos 33 municípios onde atua a facção da Pastoral ligada à Arquidiocese de Maceió, ainda segundo o documento, existem 200.331 crianças de 0 a 6 anos, das quais 119.280 são consideradas muito pobres. Isso significa 59,5% em situação de risco. Essa realidade estabeleceu novas metas para a Pastoral que, na opinião de Ivone Torres, constituem um grande desafio: a ONG quer melhorar esses índices em 30% até o meio do ano. Isso é possível? Segundo Ivone Torres, os trabalhos para viabilizar a meta já foram iniciados esta semana. ?Estamos ampliando parcerias já existentes e buscando novas. Instituímos uma agenda de viagens para o interior do Estado, abrangendo os 62 municípios onde a Pastoral tem atuação?, explica. Para o convencimento dos parceiros, a ONG tem um dado importante. ?Fala-se que, em 2003, dezoito mil crianças deixaram de morrer graças ao trabalho da Pastoral. Isso deve valer alguma coisa no processo de sensibilização?, observa Ivone Torres. Informação A avaliação de risco das crianças, explica a coordenadora da Pastoral, envolve itens como a situação educacional da família; situação econômica, condições sanitárias do espaço; alimentação e higiene. ?Está confirmado que o maior número de mortalidade infantil acontece em famílias onde o pai e a mãe são analfabetos, o que significa que uma família com informação adoece menos?, observa. Por isso mesmo, a base do trabalho da Pastoral da Criança, segundo ela, começa com a capacitação de líderes comunitários e de outros agentes multiplicadores nas comunidades, de forma que as informações sobre como evitar doenças sejam levadas em visitas domiciliares. Nessas visitas, as crianças recebem remédios contra vermes e, na seqüência do trabalho, recebem multimistura como complemento alimentar ? farinha à base de farelo de trigo, pó de casca de ovo e outros ingredientes. Ivone Torres destaca que o trabalho visa também o resgate da família, com projetos de geração de renda a partir de levantamentos feitos junto à própria comunidade. ?A multimistura também pode se transformar em fonte de renda, fabricada pelas famílias assistidas e vendida a quem pode pagar por ela?, concluiu.

Relacionadas