Cidades
Prainha de Barra Nova pode ficar sem barracas
FÁBIA ASSUMPÇÃO A presidenta do Instituto de Meio Ambiente (IMA), Sandra Menezes, informou, ontem, que pretende disciplinar a ocupação da Prainha, na Barra Nova, um dos pontos turísticos de maior na alta temporada de verão. A Prainha é uma Área de Proteção Ambiental (APA). Segundo Sandra, o IMA vai discutir com a comunidade a ocupação ordenada da área ou até a possibilidade de retirada de todas as barracas para outro local. ?Vamos fazer um trabalho semelhante ao realizado na Praia do Saco? esclareceu. Atualmente, existem na Prainha nove barracas, que acabam gerando algumas agressões ao ambiente principalmente pela questão do lixo. Apenas uma das barracas possui banheiro, outro motivo de preocupação para o IMA. A proposta do instituto, caso não seja possível fazer a transferência de todas as barracas para outro local, é reduzir o número desses bares típicos do litoral alagoano e padronizar o tamanho de cada um. ?Vamos fazer aqui um trabalho semelhante ao da Praia do Saco, onde as barracas foram padronizadas e o número delas foi reduzido de 13 para sete?, afirmou. Sandra Menezes, advertiu que o IMA vai começar a notificar os proprietários de casas de veraneios na Barra Nova, em Marechal Deodoro, que estão transformando os piers para embarcações em extensões de áreas de lazer de seus imóveis. A advertência foi feita durante a operação para delimitação da área de fundeio de embarcações na Prainha. Como a Prainha está numa unidade estadual de conservação ambiental, os técnicos do IMA acompanharam de perto o trabalho da Capitania dos Portos para delimitar a área de fundeio de embarcações. A Prainha é uma das unidades de Área de Proteção Ambiental (APA) da Ilha de Santa Rita. O comandante da Capitania dos Portos, capitão-de-corveta Wilson Lima Filho, explicou que os proprietários desses imóveis têm autorização da Marinha para a construção dos piers. Mas, com a ressalva que a autorização não exime a consulta de outros órgãos no que diz respeito a questão ambiental. Ele explicou que o combate ao avanço das construções dentro da Lagoa Mundaú, em Barra Nova, deve envolver também a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), já que se trata de área da União. Para evitar acidentes com os banhistas, a Capitania dos Portos delimitou o espaço para fundeio de embarcações na Prainha de Barra Nova, um dos pontos mais visitados pelos turistas na alta temporada de verão. A colocação das bóias delimitando as áreas exclusivas para os banhistas foi feita, ontem pela manhã, por marinheiros da capitania, com apoio de homens do Corpo de Bombeiros Militar, técnicos do IMA e da Prefeitura de Marechal Deodoro. O comandante do Grupo de Salvamento Aquá-tico do Corpo de Bombeiros, Major Marcílio Alves de Carvalho, informou que em média acontecem na área entre três a quatro acidentes, semanalmente, envolvendo embarcações e banhistas. O Corpo de Bombeiros mantém no lugar quatro salva-vidas, com revezamento de 24 horas por dia. Segundo Marcílio, por falta de cuidado dos próprios condutores das embarcações também é comum ocorrerem casos de afogamento na área, que fica situada no canal da Lagoa Mundaú onde, alguns pontos, chegam a ter nove metros de profundidade. ?Algumas embarcações chegavam até a subir a areia, aumentando ainda mais os riscos de acidentes com os banhistas?, observou o major. Segurança A área reservada para os banhistas fica numa faixa até 10 metros de distância da margem da lagoa e tem 70 metros de largura. O comandante da Capitania do Porto de Maceió, capitão-de-corveta Wilson Lima Filho, explicou que garantir a segurança dos banhistas foi o principal motivo de a capitania delimitar a área para o fundeio de embarcações. Ele advertiu que os donos de embarcações que não obedecerem a área delimitada para ancorar serão enquadrados na Lei de Segurança Aquaviária. Atualmente, estão registradas na Capitania dos Portos de Maceió 5.400 embarcações de vários portes. Foram colocadas bóias delimitando a área para embarcações. A delimitação das áreas para embarcações também será feita na Praia do Francês, adiantou Lima Filho. A Marinha vem realizando também a Operação Verão, que consiste na fiscalização sobre a segurança das embarcações. O secretário de Meio Ambiente de Marechal Deodoro, Redson Cavalcante, explicou que havia necessidade de fazer a delimitação das áreas para embarcação, uma vez que era grande o número de reclamações dos banhistas. ?Além de barcos, existem também os jet-skis e os bananas-boats que circulam na área muito próximos aos banhistas?. A presidenta do IMA, Sandra Menezes, fez um apelo para que própria comunidade ajude na manutenção das bóias que delimitam a área para banhistas. Ela teme que alguns donos de embarcações não respeitem esses limites e rompam as cordas que seguram as bóias. ?Minha intenção é manter fiscais na área para evitar que isso aconteça?. A medida tomada pela Marinha deixou alguns barraqueiros e donos de embarcações temerosos que os turistas se afastem da área. Na Prainha estão instaladas nove barracas e duas ficaram fora da área protegida para os banhistas. Para o barqueiro José Carlos, que trabalha há 15 anos com transporte de turistas para a Prainha, a idéia é boa porque vai proteger sua clientela. Mas, alguns barraqueiros que trabalham com embarcações podem ser prejudicados. Outra preocupação é que os turistas podem só querer freqüentar as barracas localizadas dentro da área protegida.