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Falta de recurso compromete reforma agr�ria em Alagoas

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A falta de recursos no orçamento da União para reforma agrária pode comprometer a execução do Plano Nacional de Reforma Agrária em 2004. Essa preocupação foi demonstrada pelo coordenador estadual da Pastoral da Terra, Carlos Lima, durante um encontro, ontem de manhã, com o coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Thomaz Balduíno, e amigos do movimento, no Centro Dom Adelmo Machado. O plano prevê o assentamento de 400 mil famílias em três anos, número aquém do que reivindicavam os movimentos sociais pela terra ? que era de um milhão de famílias. ?Vamos trabalhar para que, no orçamento de 2005, o governo estabeleça uma dotação orçamentária para a reforma agrária?, afirmou Carlos Lima. Apesar da falta de dotação orçamentária, o coordenador da CPT confirma que a implementação do Plano de Reforma Agrária será a principal bandeira de luta dos movimentos sociais. ?O plano será o principal instrumento de ação de 2004 na luta pela terra?. No dia 6 de março, a CPT fará uma apresentação sobre o Plano Nacional de Reforma Agrária e sobre o tema da Campanha da Fraternidade ? Água como Fonte da Vida. ?Queremos trazer a sociedade para dar apoio a essa plano?, enfatizou Carlos Lima. Trégua O fim da trégua com o governo federal na luta pela terra foi confirmado na carta-compromisso da 15ª Assembléia da Comissão Pastoral da Terra em Alagoas (CPT/AL), assinada por 120 trabalhadores rurais de acampamentos e assentamentos do movimento em todo o Estado. A carta de compromisso foi divulgada no encerramento do encontro, na tarde de quarta-feira, onde os trabalhadores sem-terra reforçam que é urgente a solução do problema da terra. Para as lideranças da CPT, a reforma agrária não caminhou no primeiro ano do governo Lula. Em 2003, apenas 170 famílias foram assentadas, num cenário de 10 mil famílias em Alagoas, de acordo com dados dos movimentos sociais sem terra. Para agravar ainda mais a situação da questão da terra em Alagoas, permanece a indefinição em relação ao novo superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O substituto mais provável de Mário Agra, que se afastou do órgão por questões de ordem partidária, seria o vice-presidente do CSA, Gino César, ligado ao grupo Democracia Socialista do PT. Mas, agora, o Ministério da Reforma Agrária já trabalha com outro nome, o do atual superintendente interino do órgão em Alagoas, Jorge Tadeu ? funcionário de carreira do Incra. Apesar de ser um nome do PT, a indicação de Gino César não é bem vista por alguns segmentos dos movimentos sociais sem terra, que seriam mais simpáticos à indicação de Jorge Tadeu para o cargo. Independente de quem seja indicado para o cargo, as lideranças do movimento querem pressa no processo de assentamentos das famílias acampadas. O coordenador da CPT, Carlos Lima, informou que com as chuvas a situação ficou ainda mais precária para os acampados. ?Todas as barracas foram destruídas e por isso reivindicamos ao Incra a doação de 30 rolos de lona?, observou. Nos assentamentos, o acesso está difícil por causa da condição das estradas, impedindo inclusive o escoamento da produção agrícola. (M.F.A.)

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