Cidades
Popula��o carente de Alagoas ganha instituto para defesa da cidadania
FÁTIMA ALMEIDA Diariamente, inúmeras pessoas sofrem prejuízos físicos, morais ou materiais por não terem conhecimento de seus direitos ou por não possuírem condições de defesa. Foi pensando nessa parcela da população que o advogado Alberto Jorge Ferreira dos Santos (o Betinho) lançou, ontem, em Maceió, o Instituto Alagoano de Defesa da Cidadania (IDC), que, segundo ele, vai mobilizar um grupo de advogados e de outros profissionais em defesa da sociedade. O objetivo, informa Betinho, é dar continuidade ao trabalho que fazia quando era da diretoria da OAB, como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Minorias, orientando e abrindo frentes em defesa de uma minoria socioeconômica, cujos direitos nem sempre são exercidos plenamente, em questões as mais diversas possíveis. Erro médico Casos como o de Joselina Ferreira de Lima, 38 anos, vítima de provável erro médico e que será, certamente, o primeiro caso do IDC. Há seis anos vítima de dores no braço e na cabeça, ela diz que teve um diagnóstico de desvio do líquido da medula, que lhe saía pelas narinas em forma de água morna. Um caso raro que, segundo Joselina, acabou transformando-a numa espécie de cobaia, com ?direito? a várias exibições para alunos do curso de medicina da Ufal. Em 2000, Joselina foi operada pelo médico que cuidava do seu caso, em um hospital público de Maceió, depois de três tentativas adiadas por falta de sangue. Entrou na sala de cirurgia certa de que a intervenção cirúrgica seria na região da coluna, mas acordou no outro dia com a cabeça operada. O tratamento de nada adiantou. Joselina afirma que até hoje perde líquido pelas narinas e, o que é pior, o braço que apenas doía, hoje perdeu os movimentos. Ela diz que voltou várias vezes ao consultório do médico, mas não foi atendida. Numa avaliação com outro profissional, Joselina ouviu uma triste informação: se continuar perdendo líquido, pode ficar paraplégica. O encaminhamento do IDC, de acordo com o advogado Alberto Jorge, será, inicialmente, uma representação ao Conselho Regional de Medicina para que possa se manifestar sobre a possibilidade de erro médico. Na seqüência, ele pretende entrar com uma ação na Justiça Federal, solicitando uma perícia médica e pedindo tutela antecipada para novos exames e, se for o caso, nova intervenção cirúrgica para Joselina. Se for confirmado erro médico, o IDC vai entrar também com um pedido de indenização em favor da vítima.