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Sete rec�m-nascidos morrem em UTI de Macei�
FÁBIA ASSUMPÇÃO O diretor-geral do HU, João Macário Omena, confirmou ontem que em apenas nove dias deste mês foram registradas sete mortes de recém-nascidos que deram entrada na UTI Neonatal do hospital. O número é alarmante, levando-se em consideração que a Organização Mundial de Saúde preconiza como aceitável até cinco óbitos/mês em hospitais com o mesmo número de leitos que o HU para assistência neonatal. Ele garantiu que as mortes dos recém-nascidos não tiveram relação com casos de infecção hospitalar, falta de equipamentos ou ingestão de leite industrializado, devido à falta de leite materno. ?Foram casos de prematuridade, uma vez que os recém-nascidos já chegaram bastante debilitados ao hospital?. Alguns recém-nascidos mortos tinham menos de um quilo de peso. Dois eram gêmeos com 780 gramas cada um. Dois nasceram no hospital, um com um quilo e outro com apenas 550 gramas. Um dos bebês foi trazido de Colônia de Leopoldina, sem a mãe. ?Eram crianças imunodepressivas e sem capacidade de respiração pulmonar?, explicou Macário. O diretor do hospital também admitiu que na época das mortes a UTI neonatal se encontrava superlotada. A unidade, que tem 10 leitos, estava com 14 recém-nascidos. ?É comum que o índice de mortes seja maior quando há superlotação em qualquer hospital que cuide de pacientes de risco?, enfatizou. UTI pediátrica Macário também revelou que os médicos do setor de Pediatria do HU estão improvisando UTIs em enfermarias para atender as crianças que precisam de tratamento intensivo. A situação é reflexo do fato de que em Alagoas não há nenhum hospital público com UTI Pediátrica. A preocupação dos profissionais do HU aumentou ontem, diante de uma orientação enviada pelo diretor-geral da Unidade de Emergência Armando Lages, Marcos Sampaio, para que os médicos do HU não encaminhem crianças com necessidade de tratamento intensivo para o Pronto-Socorro. O comunicado foi recebido pelo diretor-geral do HU, João Macário, que não esconde sua preocupação com o agravamento da situação para o atendimento de crianças e adolescentes que necessitam de tratamento intensivo, como os politraumatizados ou com insuficiência respiratória. ?Neste momento, por exemplo, temos um bebê em uma das enfermarias do setor pediátrico, que precisava de cuidados intensivos e tivemos que improvisar o respirador e alguns equipamentos, já que não dispomos de uma UTI pediátrica?. O bebê com apenas sete meses foi trazido de Junqueiro pela mãe, Lúcia da Silva, com pneumonia e uma inflação no ouvido. Ele está desde sábado respirando com ajuda do respirador e seu estado é delicado. Bebês que passaram por cirurgias para retirada de tumores na cabeça também tiveram que passar pela mesma situação no hospital. Segundo Macário, só a ampola de um dos medicamentos que é ministrado no bebê custa R$ 75,00. ?O custo diário por criança numa UTI pediátrica é de R$ 1.500,00, mas o SUS só paga R$ 164,00?. O baixo valor pago pelo SUS talvez seja um dos motivos para que a maioria dos hospitais conveniados ao SUS se recuse a fazer esse tipo de atendimento. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, pelo Sistema Único de Saúde só existem cinco leitos de UTI pediátrica no Estado, disponíveis na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, que é hospital filantrópico. O número insuficiente para atender a demanda. O diretor-geral do HU afirma que a preocupação do diretor da Unidade de Emergência em não receber crianças que necessitam de tratamento intensivo é correta. ?A Unidade de Emergência não é o lugar ideal para o atendimento dessas crianças, pois recebe pessoas politraumatizadas, embriagadas, como problemas cardíacos e vários outros tipos de doenças?. No Hospital Universitário existe hoje apenas uma UTI de adultos e uma UTI Neonatal para atendimento de recém-nascidos até 28 dias, com apenas 10 leitos. O hospital, no entanto, teve aprovado pelo Ministério da Saúde um projeto para implantação de uma UTI Pediátrica. O projeto envolve recursos na ordem de R$ 600 mil para compra de equipamentos. Macário ressalta que a implantação da UTI deve levar algum tempo, pois se houver a necessidade de obras físicas é preciso superar outro problema: a falta de recursos humanos. No final do mês passado. O diretor-geral do HU apresentou uma proposta ao secretário executivo de Saúde, Álvaro Machado, e ao governador Ronaldo Lessa, que conta com o aval da administração superior da Ufal, para implantação de uma Unidade de Emergência em Pediatria. A ala contaria com 20 leitos de apoio e a UTI Pediátrica. ?Pela proposta, o Ministério da Saúde entraria com os equipamentos e o financiamento para manutenção da unidade, e o Estado com os recursos humanos?.