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Programa do Leite chega a mais tr�s munic�pios

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FÁTIMA ALMEIDA O Programa do Leite amplia hoje o raio de atendimento a famílias carentes do Estado de Alagoas. Será lançado, pelo governador Ronaldo Lessa, em mais três municípios: Delmiro Gouveia, Pariconha e Olho D?água do Casado. Segundo o coordenador do programa, José Klinger Teixeira, isso eleva para 25 o número de municípios atendidos. O alimento vai para famílias da capital e do interior, cuja renda per capita seja inferior a meio salário mínimo. O alvo do programa são gestantes, nutrizes até os seis meses, crianças de 6 meses a 6 anos e idosos a partir dos 60 anos, segundo explica o coordenador. Atualmente são beneficiadas 12 mil famílias alagoanas, mas a meta é estender, até o próximo dia 10 de março, para 55 mil famílias. De acordo com Klinger, o governo do Estado e o governo federal destinaram, juntos, para a manutenção do programa nos seis primeiros meses deste ano, um total de R$ 8 milhões. O leite pasteurizado é comprado de produtores locais, priorizando os que produzem até 100 litros/dia. ?Isso assegura o beneficiamento dos pequenos produtores. Só depois de esgotá-los é que buscamos a complementação junto a produtores maiores, numa escala crescente?, explica José Klinger. Segundo ele, 1.200 produtores alagoanos são beneficiados com a venda da sua produção ao Programa do Leite. Mesmo com todos esses números, o programa está longe de atender a uma demanda que envolve uma quantidade muito maior de famílias necessitadas e uma carência nutricional muito mais abrangente. O próprio coordenador do Programa do Leite afirma: em Alagoas existem 304 mil famílias abaixo da linha de pobreza, mas ele rebate qualquer crítica nesse sentido alegando que ?se não dá para atender a todos, o Estado tem se esforçado para atender o que pode e para ampliar o máximo esse atendimento?. Restrições As mais robustas restrições ao programa do leite vêm da Pastoral da Criança, e os motivos são diversos. Primeiro, segundo Ivone Torres, coordenadora da ONG em Alagoas, porque ele gera nas famílias o vício de ficar esperando pelo leite; depois, porque não alcança o número de famílias necessitadas; e ainda porque o produto levado para casa acaba sendo diluído em água, em quantidades desproporcionais, para atender a toda a família, perdendo o seu valor nutricional. Para quase todas as observações a coordenação do programa tem respostas. ?Isso de não conseguir chegar a todos os necessitados acontece em praticamente todos os programas, governamentais ou não, inclusive na própria Pastoral. Mas não é por isso que temos que deixar de atender uma parte?, diz ele. Quanto ao valor nutricional, segundo José Klinger, já existem demonstrativos de que o programa cumpre seu papel no combate à subnutrição. ?Crianças que começaram bem abaixo do peso ideal, hoje estão dentro dos padrões, segundo avaliações feitas antes e depois que foram incluídas no Programa do Leite?, destaca. Mesmo assim, na avaliação de Ivone Torres, o governo teria melhores resultados no combate à pobreza e à desnutrição em famílias carentes se investisse esses recursos em agricultura familiar nas comunidades mais pobres, de forma que as pessoas pudessem cultivar o seu próprio alimento e conseguissem tirar dessa atividade alguma renda. ?Não existe pequeno produtor de leite. O pequeno produtor está entre os que plantam milho, feijão, mandioca...?, reflete Ivone Torres.

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