Cidades
DRT denuncia exporta��o de m�o-de-obra escrava
FÁTIMA ALMEIDA Cerca de 20 mil trabalhadores saíram de Alagoas, durante o ano passado, de forma irregular. A projeção é da própria Delegacia Regional do Trabalho (DRT-AL), baseada, segundo o delegado Ricardo Coelho, em dados extra-oficiais. Ele ainda não teve acesso ao mapa traçado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com a rota do trabalho escravo no Brasil, mas acredita que dificilmente Alagoas esteja fora dele. Em 2002, o Estado aparecia, com os municípios de União dos Palmares, Branquinha e Murici, entre os focos exportadores de mão-de-obra para o trabalho escravo (trabalhadores que saem de seus locais de origem para trabalhar outras localidades sem carteira assinada e excluídos de todas as regras de proteção e direitos assegurados pela legislação trabalhista brasileira). Fiscalização Durante o ano de 2003, após a constatação de episódios como o resgate de uma família inteira do município de Arapiraca, encontrada em situação de escravidão numa fazenda em São Paulo, e da confirmação de várias denúncias de transporte ilegal de trabalhadores, a DRT, em parceria com outros órgãos, entre eles, a Polícia Rodoviária Federal, intensificou a fiscalização nos ônibus que tentavam sair do Estado transportando trabalhadores. Segundo Ricardo Coelho, a operação resultou na apreensão de mais de 30 ônibus e na regularização de mais de duas mil pessoas que estavam saindo para trabalhar em outros estados sem nenhuma garantia de direitos trabalhistas. ?Não existe lei que proíba contratação de trabalhadores de um Estado para outro. Mas para sair um ônibus do Estado, transportando trabalhadores, tem que pedir autorização do Ministério do Trabalho, que verifica as condições em que eles serão levados, o contrato de trabalho registrado em carteira, tudo para evitar irregularidades que caracterizam o trabalho escravo?, esclarece Ricardo Coelho. Ele observa que muitas pessoas viajam com a promessa e o sonho do contrato de trabalho, e vivem o pesadelo da escravidão, obrigadas a condições subumanas, num contrato viciado onde ao invés de receber salário eles passam a dever a alimentação, a moradia e outros itens dos quais nunca conseguem se libertar para voltar para casa ou buscar melhorias.