Cidades
Projeto de recupera��o da orla lagunar custar� R$ 10 milh�es
FÁBIA ASSUMPÇÃO A orla lagunar de Maceió apresenta hoje um quadro desolador: favelas, esgotos a céu aberto, poluição e muito lixo. Mas um projeto que já começou a ser executado pelos Serviços de Engenharia do Estado de Alagoas (Serveal) promete mudar essa realidade. Elaborado pelas arquitetas Tatiane Macedo e Rosa Helena Tenório, o projeto de reurbanização da orla lagunar atinge uma área de cinco quilômetros de extensão, desde o Canal da Levada até o Papódromo, que será transformado num espaço cultural. A presidenta do Serveal, Rosângela Visgueiros, reconhece que um dos grandes desafios para a execução do projeto será a retirada das famílias que invadiram a área. Ela explicou que as famílias cadastradas e que sobrevivem exclusivamente da pesca serão atendidas por 350 casas construídas no Trapiche da Barra. ?As casas já estão prontas e para a transferência das famílias falta instalar a iluminação pública, a drenagem e o esgoto sanitário?. Para as outras famílias cadastradas e que vivem de outras atividades, que não seja a pesca, o governo está colocando à disposição lotes urbanizados no Loteamento Cidade Verdejante, nas proximidades do Conjunto Freitas Neto. O governo também pretende dar a essas famílias uma ajuda em material de construção, além de dar infra-estrutura ao loteamento, como iluminação e água. O projeto está orçado em R$ 10 milhões e as três primeiras etapas ? que contempla o trecho entre o Canal da Levada até o ?polêmico? Monumento do Milênio - devem ficar prontas ainda neste semestre. A arquiteta Tatiane Macedo explica que o projeto arquitetônico foi concebido no sentido de atender a todos os segmentos que fazem parte da região lagunar. Ele começou a ser discutido em 2000, quando foi criada uma comissão formada por órgãos municipais e estaduais. Segundo Tatiane, foi quase um ano de discussão com associações de pescadores, grupos de terceira idade, escolas públicas municipais e estaduais instaladas na região e a comunidade em geral para finalmente se chegar a um projeto que atendesse às necessidades de todos esses segmentos. O projeto é dividido em várias zonas, identificadas por cores. A Zona Amarela será destinada exclusivamente para os pescadores. Nessa zona está prevista a construção de abrigos padronizados para embarcações e local adequado para guardar materiais de pesca ? a exemplo das redes - , além da instalação de secadeiras para peixe ? processo que hoje é feito nas calçadas. ?Nosso objetivo é melhorar o processo da pesca?. A Zona Verde será destinada ao reflorestamento de mangues e áreas de restingas. Nessas áreas, as construções serão mínimas, com espaço apenas para a ciclovia e o calçadão. A Zona Rosa será destinada a atividades sociais e de lazer. Segundo Tatiane, a colocação de espaços para prática de esporte foi uma das exigências da comunidade. No local será construída uma pista de atletismo e áreas para prática de musculação e ginástica, semelhantes à que existem na orla marítima. ?Temos que fazer uma coisa que a comunidade goste, pois de outra forma ela não tomará conta?, observa Tatiane. Na Zona Laranja, concentrada onde atualmente está localizado o Papódromo, serão concentradas as atividades culturais e educacionais. O projeto também pretende desenvolver o potencial turístico da região. Com esse objetivo, ele prevê a construção de um pier, onde hoje está instalado o porto do sururu. Nesse local serão instaladas lojas e uma unidade para processamento do sururu. Urbanização Um estudo realizado e apresentado em outubro do ano pela promotora de Justiça e da Infância e Juventude de Maceió, Alexandra Beurlen de França, revelou a face da miséria na Favela Sururu do Capote. Naquela época, a promotora encaminhou um processo à Corregedoria do Ministério Público, ela mostrava que havia indícios de improbidade administrativa, malversação do erário e outros ilícitos civis e penais, especialmente, quanto à execução do programa do leite e na construção das 350 casas do Conjunto Lenita Vilela. A promotora desenvolveu o trabalho sob as condições de vida na Lagoa Sururu de Capote por solicitação do Fundo da Organização das Nações Unidas para a Segurança Alimentar e Agricultura. A maioria dos moradores está desempregada e sobrevive de bicos ou depende de ajuda de familiares. Para comer fazem de tudo, desde catar sururu até pegar ?tetéia? - galinhas mortas e podres jogadas no mercado da Produção ou até mesmo vendida por avícolas.